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Buscariollo formavam núcleo de organização criminosa especializada, diz delegado

Os integrantes da família Buscariollo investigados pelas mortes de quatro homens em Icaraíma formavam o núcleo de uma organização criminosa especializada e com atuação em crimes transfronteiriços, inclusive intimidando testemunhas, segundo a Polícia Civil do Paraná. A informação foi apresentada por delegados durante entrevista coletiva concedida na manhã desta terça-feira (18), em Umuarama, após a prisão de três suspeitos no estado de São Paulo.

A operação foi realizada pelo Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ) da Polícia Civil, em parceria com o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), e teve como alvos Antonio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo. Os três tiveram mandados de prisão temporária cumpridos. Carlos Eduardo Candido Buscariollo, também investigado no caso, já estava preso por tráfico de drogas.

De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que integrantes da família estivessem envolvidos em tráfico internacional de drogas e armas, contrabando de cigarros e descaminho. A estrutura e a influência atribuídas ao grupo também ajudariam a explicar o medo demonstrado por moradores de Icaraíma em colaborar com a investigação.

Durante a coletiva, os delegados afirmaram que possíveis testemunhas deixaram de prestar informações por temer represálias e até serem mortas pelos suspeitos. Com as prisões, a polícia espera romper essa barreira e avançar sobre pontos do inquérito que ainda dependem de novos depoimentos.

“Quem são os Buscariollo em Icaraíma ao ponto de as pessoas terem tanto medo?”, questionou um dos delegados durante a entrevista, ao abordar a influência exercida pelos investigados. Segundo a Polícia Civil, existem indícios de uma organização supostamente envolvida em diferentes atividades criminosas e capaz de intimidar pessoas que pudessem colaborar com as autoridades.

Apesar das suspeitas sobre a atuação do grupo, os investigadores ressaltaram que não há elementos, até o momento, que permitam afirmar que os Buscariollo sejam integrantes de alguma facção criminosa ou que tenham recebido proteção de facções enquanto permaneceram foragidos.

Foto: Reprodução

Prisões temporárias por 30 dias

As prisões decretadas são temporárias e têm duração inicial de 30 dias. Esse período será utilizado pela Polícia Civil para aprofundar as investigações, realizar novos interrogatórios e principalmente ouvir pessoas que até agora teriam evitado colaborar por medo dos investigados.

Testemunhas que já prestaram depoimento também poderão ser chamadas novamente.

Segundo os delegados, a polícia considera que reuniu elementos consistentes sobre o caso e pretende confrontar os investigados com as provas produzidas durante aproximadamente um ano de investigação. A expectativa é também esclarecer a participação individual de cada suspeito na execução das quatro vítimas.

O inquérito, portanto, ainda não está concluído.

Durante o cumprimento dos mandados nesta terça-feira, nenhuma arma foi encontrada. A polícia apreendeu aparelhos celulares, que deverão passar por análise e poderão fornecer novos elementos para a investigação.

Os detalhes operacionais sobre a localização e a captura dos suspeitos ficaram sob responsabilidade do delegado do Tigre, unidade especializada da Polícia Civil que participou da ação.

Foto: OBemdito

Dívida teria desencadeado as execuções

A dívida envolvendo uma negociação de propriedade rural continua sendo apontada como elemento central para a motivação do crime.

Segundo a linha construída pelos investigadores, Alencar Gonçalves de Souza tentava receber dinheiro relacionado à negociação de uma propriedade da família Buscariollo. Diante das dificuldades para recuperar o valor, ele buscou ajuda de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso, que viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma.

Os quatro desapareceram em 5 de agosto de 2025. A investigação indica que houve uma cobrança presencial feita a Antonio Buscariollo. Depois desse encontro, Antonio teria comunicado Carlos Henrique sobre a cobrança.

A partir daí, segundo a Polícia Civil, Carlos Henrique teria assumido papel decisivo no episódio. Conforme relatado durante a coletiva, ele teria agido “imbuído pelo sentimento de soberania”, acreditando que poderia fazer o que quisesse na região, e determinado as execuções.

Essa circunstância reforça, para os investigadores, a hipótese de que as mortes não decorreram de uma discussão inesperada ou de uma cobrança que saiu do controle.

A Polícia Civil classifica o crime como premeditado e bem organizado.

Polícia descarta tortura e cárcere privado

A investigação também permitiu esclarecer algumas hipóteses levantadas desde o desaparecimento das vítimas. De acordo com os delegados, não foram encontrados elementos indicando que os quatro homens tenham sido mantidos em cárcere privado ou submetidos a tortura antes de serem mortos.

A principal linha é de execução planejada.

As vítimas desapareceram depois de seguirem para um encontro relacionado à cobrança da dívida. Durante as buscas, o veículo utilizado pelos quatro foi encontrado enterrado em uma área rural de Icaraíma, com marcas de disparos e vestígios que reforçaram a hipótese de homicídio.

Posteriormente, os corpos de Robishley, Rafael, Diego e Alencar foram encontrados enterrados em uma vala na zona rural do município.

Desde então, a Polícia Civil passou a trabalhar para identificar não apenas os executores, mas também quem teria ordenado e participado do planejamento dos assassinatos.

Família exerceria influência e intimidação

Um dos aspectos que ganharam maior destaque na entrevista coletiva desta terça-feira foi o poder de intimidação atribuído aos Buscariollo.

Segundo os investigadores, o medo existente em Icaraíma não estaria relacionado exclusivamente ao quádruplo homicídio. Os indícios de envolvimento de integrantes da família com tráfico internacional de drogas e armas, contrabando e descaminho teriam contribuído para construir uma posição de influência no meio criminoso.

Carlos Eduardo Candido Buscariollo, por exemplo, já se encontrava preso por tráfico de drogas quando a nova operação foi deflagrada.

A Polícia Civil considera que esse histórico ajuda a compreender por que determinadas testemunhas demonstraram resistência em falar sobre o caso.

Para os investigadores, a retirada dos suspeitos de circulação cria agora uma condição diferente para a continuidade do inquérito. Pessoas que antes temiam sofrer represálias poderão ser novamente procuradas.

Presos podem permanecer em São Paulo

A Polícia Civil ainda não definiu se Antonio, Paulo e Carlos Henrique serão transferidos para Umuarama. Como os mandados foram cumpridos no estado de São Paulo, as audiências de custódia precisam ser realizadas inicialmente naquele estado. Depois disso, será avaliada a necessidade de transferência.

Segundo os delegados, não existe obrigação de que os investigados permaneçam presos em Umuarama durante todo o período da prisão temporária. Eles podem ficar custodiados em outras unidades do sistema prisional brasileiro, conforme definição das autoridades responsáveis.

A prioridade neste momento é garantir que os suspeitos permaneçam afastados das testemunhas e impedir qualquer possibilidade de interferência na produção das provas.

Os próximos 30 dias são considerados decisivos para a investigação.

Além da análise dos celulares apreendidos, a Polícia Civil pretende realizar novos interrogatórios, confrontar versões e retomar depoimentos de pessoas que podem conhecer detalhes sobre a atuação dos Buscariollo e sobre o planejamento das mortes.

Para os investigadores, as prisões não representam o encerramento do caso. Ao contrário, abrem uma nova etapa do inquérito, agora com os principais suspeitos sob custódia e com a expectativa de que o medo que dificultou a investigação desde o início deixe de impedir testemunhas de revelar o que sabem.

As informações são do OBemdito

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