Durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 18, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou que a chacina que resultou em quatro mortes há pouco mais de um ano, dia 5 de agosto de 2025, em Icaraíma, foram execuções sumárias. Além disso, os delegados da 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP) de Umuarama voltaram a dizer que não houve tortura.
Em junho deste ano, novos documentos incorporados ao processo passaram a levantar questionamentos sobre a forma como as vítimas foram mortas. No entanto, a PCPR já havia descartado a hipótese.
A operação desta terça foi realizada pelo Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ) da Polícia Civil, em parceria com o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), e teve como alvos Antonio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo. Os três tiveram mandados de prisão temporária cumpridos. Carlos Eduardo Candido Buscariollo, também investigado no caso, já estava preso por tráfico de drogas.
As vítimas são Alencar Gonçalves de Souza, morador em Icaraíma, e os paulistas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso.
Durante mais de 40 minutos o delegado adjunto da 7ª SDP Leonardo Martinez, o delegado de Icaraíma Thiago Andrade e o delegado-chefe da 7ª SDP Izaías Cordeiro detalharam como a PCPR desenvolveu a investigação sobre o caso.
A respeito de como as mortes aconteceram, Andrade disse que “a linha investigativa e os laudos periciais não mencionam nenhuma hipótese de tortura. O que aconteceu foi uma execução sumária no próprio dia 5. Imediatamente eles foram isolados na cova em que foram encontrados. Não houve tortura e não houve cárcere privado”, afirmou.
A principal linha investigativa da PCPR é de execução planejada.
As vítimas desapareceram depois de seguirem para um encontro relacionado à cobrança da dívida. Durante as buscas, o veículo utilizado pelos quatro homens foi encontrado enterrado em uma área rural de Icaraíma. O veículo tinha marcas de disparos e vestígios que reforçaram a hipótese de homicídio.
Posteriormente, os policiais encontraram os corpos de Robishley, Rafael, Diego e Alencar enterrados em uma vala na zona rural do município.
Desde então, a Polícia Civil passou a trabalhar para identificar não apenas os executores, mas também quem teria ordenado e participado do planejamento dos assassinatos.
Prisões temporárias por 30 dias
As prisões decretadas são temporárias e têm duração inicial de 30 dias. Esse período será utilizado pela Polícia Civil para aprofundar as investigações, realizar novos interrogatórios e principalmente ouvir pessoas que até agora teriam evitado colaborar por medo dos investigados.
Testemunhas que já prestaram depoimento também poderão ser chamadas novamente.
Segundo os delegados, a polícia considera que reuniu elementos consistentes sobre o caso e pretende confrontar os investigados com as provas produzidas durante aproximadamente um ano de investigação. A expectativa é também esclarecer a participação individual de cada suspeito na execução das quatro vítimas.
O inquérito, portanto, ainda não está concluído.
Durante o cumprimento dos mandados nesta terça-feira, nenhuma arma foi encontrada. A polícia apreendeu aparelhos celulares, que deverão passar por análise e poderão fornecer novos elementos para a investigação.
Os detalhes operacionais sobre a localização e a captura dos suspeitos ficaram sob responsabilidade do delegado do Tigre, unidade especializada da Polícia Civil que participou da ação.
Dívida teria desencadeado as execuções
A dívida envolvendo uma negociação de propriedade rural continua sendo apontada como elemento central para a motivação do crime.
Segundo a linha construída pelos investigadores, Alencar Gonçalves de Souza tentava receber dinheiro relacionado à negociação de uma propriedade da família Buscariollo. Diante das dificuldades para recuperar o valor, ele buscou ajuda de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso, que viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma.
Os quatro desapareceram em 5 de agosto de 2025. A investigação indica que houve uma cobrança presencial feita a Antonio Buscariollo. Depois desse encontro, Antonio teria comunicado Carlos Henrique sobre a cobrança.
A partir daí, segundo a Polícia Civil, Carlos Henrique teria assumido papel decisivo no episódio. Conforme relatado durante a coletiva, ele teria agido “imbuído pelo sentimento de soberania”, acreditando que poderia fazer o que quisesse na região, e determinado as execuções.
Essa circunstância reforça, para os investigadores, a hipótese de que as mortes não decorreram de uma discussão inesperada ou de uma cobrança que saiu do controle.
A Polícia Civil classifica o crime como premeditado e bem organizado.
Polícia descarta tortura e cárcere privado
A investigação também permitiu esclarecer algumas hipóteses levantadas desde o desaparecimento das vítimas. De acordo com os delegados, não foram encontrados elementos indicando que os quatro homens tenham sido mantidos em cárcere privado ou submetidos a tortura antes de serem mortos.
A principal linha é de execução planejada.
As vítimas desapareceram depois de seguirem para um encontro relacionado à cobrança da dívida. Durante as buscas, o veículo utilizado pelos quatro foi encontrado enterrado em uma área rural de Icaraíma, com marcas de disparos e vestígios que reforçaram a hipótese de homicídio.
Posteriormente, os corpos de Robishley, Rafael, Diego e Alencar foram encontrados enterrados em uma vala na zona rural do município.
Desde então, a Polícia Civil passou a trabalhar para identificar não apenas os executores, mas também quem teria ordenado e participado do planejamento dos assassinatos.
Família exerceria influência e intimidação
Um dos aspectos que ganharam maior destaque na entrevista coletiva desta terça-feira foi o poder de intimidação atribuído aos Buscariollo.
Segundo os investigadores, o medo existente em Icaraíma não estaria relacionado exclusivamente ao quádruplo homicídio. Os indícios de envolvimento de integrantes da família com tráfico internacional de drogas e armas, contrabando e descaminho teriam contribuído para construir uma posição de influência no meio criminoso.
Carlos Eduardo Candido Buscariollo, por exemplo, já se encontrava preso por tráfico de drogas quando a nova operação foi deflagrada.
A Polícia Civil considera que esse histórico ajuda a compreender por que determinadas testemunhas demonstraram resistência em falar sobre o caso.
Para os investigadores, a retirada dos suspeitos de circulação cria agora uma condição diferente para a continuidade do inquérito. Pessoas que antes temiam sofrer represálias poderão ser novamente procuradas.
Presos podem permanecer em São Paulo
A Polícia Civil ainda não definiu se Antonio, Paulo e Carlos Henrique serão transferidos para Umuarama. Como os mandados foram cumpridos no estado de São Paulo, as audiências de custódia precisam ser realizadas inicialmente naquele estado. Depois disso, será avaliada a necessidade de transferência.
Segundo os delegados, não existe obrigação de que os investigados permaneçam presos em Umuarama durante todo o período da prisão temporária. Eles podem ficar custodiados em outras unidades do sistema prisional brasileiro, conforme definição das autoridades responsáveis.
A prioridade neste momento é garantir que os suspeitos permaneçam afastados das testemunhas e impedir qualquer possibilidade de interferência na produção das provas.
Os próximos 30 dias são considerados decisivos para a investigação.
Além da análise dos celulares apreendidos, a Polícia Civil pretende realizar novos interrogatórios, confrontar versões e retomar depoimentos de pessoas que podem conhecer detalhes sobre a atuação dos Buscariollo e sobre o planejamento das mortes.
Para os investigadores, as prisões não representam o encerramento do caso. Ao contrário, abrem uma nova etapa do inquérito, agora com os principais suspeitos sob custódia e com a expectativa de que o medo que dificultou a investigação desde o início deixe de impedir testemunhas de revelar o que sabem.
As informações são do portal OBendito
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