O estudante de Medicina envolvido no acidente que deixou o motoboy Rodolfo Rodrigo Notario, de 38 anos, em estado gravíssimo deixou a Cadeia Pública de Maringá na noite desta segunda-feira, 24, após o pagamento de fiança de R$ 15 mil.
Segundo o Portal Victor Hugo Notícias, o estudante deixou a unidade pelo estacionamento e entrou no banco traseiro do carro do advogado. A saída ocorreu de forma diferente da observada com outros presos liberados na mesma noite, que deixaram a cadeia pela porta da frente.
Vídeo:
A situação levantou questionamentos sobre o procedimento adotado dentro da unidade.
Em nota, o Departamento de Polícia Penal do Paraná (Depen-PR), afirmou que não não houve qualquer tratamento diferenciado ao estudante e que a saída pela porta lateral ocorreu com o objetivo de “preservar a integridade física e resguardar a imagem do próprio liberado”.
Leia a nota do Depen-PR na íntegra:
A Polícia Penal do Paraná esclarece que não houve qualquer tratamento diferenciado ou privilégio no cumprimento do alvará de soltura do custodiado.
A saída pela porta lateral ocorreu por decisão técnica de segurança, diante da concentração de pessoas na entrada principal, com o objetivo de preservar a integridade física e resguardar a imagem do próprio liberado, conforme previsto em lei, além de servidores, profissionais de imprensa e demais pessoas presentes.
A Polícia Penal do Paraná reafirma que todos os procedimentos são realizados com base na legalidade, impessoalidade e isonomia.
Familiares manifestam indignação
A família de Rodolpho se manifestou por meio de sua representação jurídica, repudiando a soltura do estudante de Medicina após o pagamento da fiança.
A prima do motoboy, Andressa Rossi, estava na saída Cadeia Pública de Maringá no momento em que o estudante foi solto e falou à imprensa. Revoltada, ela relatou que o advogado quase atropelou as pessoas presentes no pátio e considerou que todos foram despistados para que a saída do estudante não fosse percebida.
“[Estou] Revoltada. O advogado dele rindo lá dentro. Tinha a família de outro preso aqui, enquanto isso abriram o portão, ele saiu abaixado dentro do carro com uma blusa e quase a imprensa parou ele. O advogado quase atropelou todo mundo. Ele não ia ter dó, não ia parar. Então é assim o tratamento. Chamaram um para despistar todo mundo para ele sair. Ninguém sabia por onde ele ia sair”, relatou Andressa.
+ Família de motoboy atropelado em Maringá repudia soltura de estudante de Medicina após pagamento de fiança
O acidente
Rodolpho foi atropelado no fim da noite deste domingo, 23, na Rua Mem de Sá, na Zona 2, em Maringá. Conforme informações reunidas no processo, o Honda City conduzido pelo estudante de medicina atingiu a traseira da motocicleta, arrastando o veículo e Rodolpho por vários metros, além de não ter prestado socorro. O motoboy foi encaminhado à Santa Casa e segue internado em estado grave.
A ocorrência foi atendida pela Polícia Militar e o estudante foi preso em flagrante, em tese, por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante de omissão de socorro. Ele apresentava sinais de embriaguez, mas recusou o teste do bafômetro. Na segunda-feira, 24, o estudante foi solto provisoriamente após decisão da Justiça e pagamento de fiança.
Veja o vídeo do momento do acidente:
Liberdade provisória foi concedida por bons antecedentes
A decisão foi assinada pela juíza Elaine Cristina Siroti, da Central de Audiência de Custódia de Maringá A magistrada considerou legal a prisão em flagrante, mas entendeu que não era necessária a manutenção da prisão neste momento. O motorista é primário e possui bons antecedentes, conforme certidão analisada no processo.
Outro ponto considerado pela Justiça foi a ausência de pedido expresso da autoridade policial ou do Ministério Público pela prisão preventiva. Inicialmente, o Ministério Público havia solicitado fiança de R$ 2 mil. O valor, porém, foi elevado para R$ 15 mil pela magistrada, que considerou a condição econômica informada pelo motorista durante o interrogatório.
A liberdade provisória não representa absolvição. O processo continuará tramitando na Justiça.
Motorista terá restrições
Além da fiança, o motorista deverá comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades. Ele também está proibido de deixar a comarca sem autorização judicial e não poderá permanecer fora de Maringá por mais de oito dias sem comunicar previamente o Judiciário. O processo será encaminhado para a 1ª Vara Criminal de Maringá, onde terá continuidade.
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