O Chris Cornell – nome dado em homenagem ao ex-vocalista do Audioslave – tem o mesmo tempo de corporação que muitos agentes respeitados da Polícia Civil do Paraná. Aos oito anos e meio de idade, o pastor alemão está na força de segurança desde 2020, tendo sido o primeiro cão farejador treinado pelo Núcleo de Operações com Cães (NOC) de Maringá.
Depois de seis anos de trabalho e mais de três mil operações bem-sucedidas, está chegando a hora do policial de quatro patas se aposentar. A Polícia Civil de Maringá prepara o início de 2027 o fim da carreira ‘profissional’ do animal, que ajudou a tirar de circulação mais de 14 toneladas de drogas no período em que está em atividade.
A tendência é que Chris seja adotado pelo atual coordenador do NOC de Maringá, Marcos Shinnae, que também é instrutor dele desde que começou a trabalhar na Polícia. Em entrevista ao Maringá Post, Shinnae afirmou que quer dar ao cão uma ‘vida de pet’.
“Ele só soube trabalhar até hoje. Basicamente, a vida do cão policial é só trabalho. Ele tem alguns momentos de lazer encaixados dentro da rotina de treinamento, mas a partir do momento em que ele aposenta, ele se torna um pet. O Chris ele vai se tornar um pet como qualquer outro cão e, com o vínculo que a gente tem, a gente acaba transformando-o num pet com muito mais vínculo, com muito mais atividade, porque nós sabemos da necessidade que ele tem, das brincadeiras que ele gosta e do quanto ele precisa de gasto de energia”, disse o agente.
O pastor alemão chegou a Maringá em 2020, ainda antes do Núcleo de Operações com Cães, aberto em novembro de 2021, ser inaugurado. Ao longo deste tempo, o cão foi empenhado em operações da Polícia Civil contra o tráfico de entorpecentes em mais de 100 municípios do norte e noroeste do Paraná, além de algumas ocorrências também na capital. O bom desempenho de Chris virou até uma espécie de ‘lenda’ entre criminosos, que criaram até uma música que cita o faro do cachorro para rastrear drogas nos mais diversos ambientes.
Antes de se aposentar, Chris está ajudando a preparar seu substituto
Atualmente, a Polícia Civil do Paraná evita pegar cães filhotes para prepará-los como farejadores. A idade considerada ‘ideal’ para o início do treinamento é entre seis meses e 1 ano de idade. O cão, quando inicia os treinos em uma unidade do NOC, passa cerca de 1 ano realizando uma espécie de ‘estágio’, indo para operações apenas para observar os cães mais experientes. É só depois deste período que o animal começa a trabalhar sozinho nas ocorrências. Após cerca de três anos e meio de trabalho o farejador atinge o chamado ‘ápice’ do desempenho de campo.
Em todo o Paraná, atualmente são 15 cães farejadores à disposição da Polícia Civil. Sete deles passaram por treinamento no Núcleo de Operações com cães de Maringá.
“A gente tem um lema que é ‘cachorro vê, cachorro faz’. Por isso que essa etapa de estágio é importante, vendo o cão mais experiente trabalhando, os mais novos aprendem”, descreve Shinnae.
O Chris já tem o seu estagiário: o Kim, outro pastor alemão de quatro anos e meio de idade e que irá substituir o líder após a aposentadoria. Kim está na Polícia Civil há três anos.
O elo ente cão e treinador
Shinnae tem 14 anos de Polícia Civil, sete deles dedicados ao NOC. Ele explica que a decisão de adotar o Chris vem do elo criado entre o cão e o policial.
“O elo entre o cão e o policial é forte. Em muitos casos, o agente passa mais tempo com o animal do que com a própria família. Precisar se despedir nem sempre é fácil. O Chris foi o primeiro cão do nosso núcleo de operações com cães aqui. Nós temos aproximadamente três mil buscas realizadas nesses anos de trabalho dele. Eu vou ficar com o Chris, vou adotar ele porque a gente criou um vínculo muito grande”, finalizou.


