Mulheres em situação de violência atendidas pelo Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM) poderão continuar o acompanhamento psicológico por meio de uma parceria firmada entre a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres e o Centro Universitário Cidade Verde (Unicive). O termo de cooperação foi assinado nesta segunda-feira (17).
A proposta é dar continuidade ao atendimento depois do primeiro acolhimento realizado pelo CRAM. Segundo a secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Leila Domenici, o órgão já conta com psicólogas que fazem o atendimento inicial e emergencial, mas casos que precisam de acompanhamento por um período maior demandam outro tipo de suporte.
“A necessidade de terapia é um trabalho de longo prazo, que o CRAM não realiza. Vai ser realizado então pelo município”, explicou a secretária.
O atendimento será feito por profissionais do município em parceria com o Núcleo de Psicologia da universidade. A ideia é que mulheres que já foram atendidas pelo CRAM possam dar continuidade ao cuidado psicológico durante o processo de enfrentamento da situação de violência.
Atendimento é sigiloso
Leila também destacou que o medo e a vergonha podem fazer com que algumas mulheres deixem de procurar ajuda. Segundo ela, o atendimento no CRAM é sigiloso e não exige que a vítima registre uma denúncia para receber acolhimento.
“Não tenha medo, porque ser atendida pelo CRAM não exige nenhum tipo de exposição. Nós não temos a exigência de que a pessoa faça um boletim de ocorrência ou que exponha seus dados e informações em público. É um trabalho extremamente sigiloso”, afirmou.
A secretária orienta que a mulher procure o serviço mesmo quando ainda não se sente preparada para denunciar a situação. “Se ela precisa desse atendimento para se sentir melhor e para sair de uma relação, inclusive, pode procurar o CRAM, que ela não vai ter nenhum tipo de exposição”, disse.
Cinco tipos de violência
A violência contra a mulher pode ocorrer de diferentes formas, entre elas física, psicológica, moral, patrimonial e sexual.
A violência física envolve agressões que atingem a integridade ou a saúde corporal. Já a psicológica inclui situações como ameaças, humilhações, perseguição, manipulação e tentativas de controlar decisões e comportamentos.
A violência moral está relacionada a calúnia, difamação e injúria. A patrimonial envolve, por exemplo, retenção ou destruição de bens, documentos e recursos financeiros. Já a violência sexual ocorre quando a mulher é forçada a presenciar ou participar de uma relação sexual sem consentimento.
Para Majô Capdeboscq, presidente da Câmara de Maringá, as políticas públicas precisam considerar também os efeitos que permanecem após a agressão.
“A violência acontece de maneiras diferentes. As mulheres muitas vezes têm dificuldade de romper esse ciclo, se libertar e continuar seguindo a sua vida. É um processo longo muitas vezes, infelizmente. Por mais que às vezes ela sofre por uma violência de uma maneira pontual, as marcas ela carrega para o resto da sua vida. Nenhuma mulher fica na violência porque ela quer”, afirmou.
Como buscar ajuda
Mulheres que precisam de atendimento especializado podem procurar o CRAM pelo telefone (44) 3127-5850. Em situações de emergência, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo 153 ou a Polícia Militar pelo 190.


