O presidente e fundador da ONG Casa do Voluntário, Vandré Fernando Alvarenga, registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Estelionato de Maringá após ser alvo de uma tentativa de golpe que envolveu falsidade ideológica, simulação de procedimentos oficiais e uma chamada de vídeo. Os criminosos se passaram pelo deputado federal paranaense Beto Preto (PSD) e por supostos representantes do governo federal para tentar obter dinheiro da entidade, sob a justificativa de liberar uma doação de mantimentos.
De acordo com o relato de Vandré, os golpistas prometeram destinar à instituição 1 tonelada de peixe, 400 cestas básicas e 30 kits para hortas comunitárias e irrigação. Para viabilizar a suposta entrega, porém, exigiram o pagamento de R$ 1.380 via Pix, alegando que o valor seria destinado ao transporte dos produtos de Curitiba até Maringá.
A fraude foi interrompida depois que uma falha no processamento da transferência bancária levantou suspeitas. O presidente da ONG entrou em contato diretamente com o verdadeiro deputado, que confirmou que se tratava de um golpe e o orientou a procurar a polícia.
Como funcionava o golpe contra a ONG de Maringá
Segundo Vandré, a abordagem começou na quarta-feira (21), quando ele recebeu mensagens de pessoas que se apresentavam como representantes ligados ao deputado federal Beto Preto, seu conhecido pessoal. A partir desse contato, os criminosos orientaram o presidente da entidade a conversar com um suposto advogado para dar andamento à liberação dos recursos.
Os criminosos afirmaram que a liberação dos mantimentos precisava ser concluída com urgência, sob a justificativa de que o procedimento não poderia ser realizado depois do período eleitoral. A pressa, segundo o relato, fazia parte da estratégia utilizada para convencer a vítima a seguir as orientações sem questionar a operação.
Para reforçar a encenação, os suspeitos chegaram a realizar uma chamada de vídeo e simularam estar em um ambiente de trabalho semelhante a um gabinete. Durante o contato, solicitaram documentos da instituição e informações pessoais do presidente, incluindo CNPJ, ata de posse, estatuto e comprovantes.
“A encenação foi tão grande que a pessoa falava comigo dizendo que estava no gabinete. Chegaram a me ligar de vídeo. É um teatro muito bem elaborado e que pareceu extremamente real”, relatou Vandré.
Pedido de Pix levantou suspeitas
A tentativa de golpe avançou até o momento em que os criminosos solicitaram uma transferência de R$ 1.380. O dinheiro, segundo eles, seria utilizado para pagar o frete dos alimentos e dos materiais que supostamente seriam entregues à Casa do Voluntário.
Foi nesse momento que a operação começou a levantar suspeitas. Após um problema no processamento da transferência bancária, Vandré decidiu procurar diretamente o deputado Beto Preto para confirmar a veracidade da suposta doação.
O parlamentar informou que não se tratava de uma iniciativa legítima e orientou o presidente da ONG a registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Estelionato de Maringá. O caso também foi divulgado pelo deputado nas redes sociais.
Embora a transferência não tenha sido concluída, a abordagem envolveu a solicitação de documentos institucionais e pessoais, o que reforça a importância de verificar a autenticidade de contatos que utilizam nomes de autoridades e órgãos públicos.
Presidente faz alerta após tentativa de golpe
Após registrar a ocorrência, Vandré publicou um vídeo nas redes sociais para alertar outras organizações sobre a tentativa de fraude. Na gravação, ele aparece na Delegacia de Estelionato de Maringá e relata como os criminosos utilizaram recursos para tornar a abordagem convincente.
O presidente também agradeceu o atendimento recebido na delegacia e a orientação do deputado federal. Durante o pronunciamento, destacou que instituições do terceiro setor enfrentam dificuldades para arrecadar recursos e manter os serviços oferecidos à população.
“Então vamos ficar muito atentos. Instituições de Maringá, do Paraná e do Brasil, fiquem atentas, porque, infelizmente, esses canalhas, esses bandidos, vagabundos, que não têm o mínimo de consideração, nós, que somos gestores de instituições do terceiro setor, de entidades beneficentes, entidades filantrópicas, sabemos a dificuldade que é para a gente conseguir arrecadar aí R$ 50, R$ 100”, afirmou.
Vandré ressaltou que a fraude poderia ter causado prejuízo à entidade caso a transferência tivesse sido concluída. Ele pediu atenção redobrada de igrejas, instituições beneficentes, organizações sociais e clubes de serviço, que podem ser procurados por pessoas se passando por parlamentares ou representantes de órgãos públicos.
“Pode ser que alguém entre em contato com as instituições em nome de algum deputado, de algum órgão público. Gente, vamos verificar bem, para a gente não ter problemas, tá bom?”, alertou.
O que é a Casa do Voluntário de Maringá?
A Casa do Voluntário é uma organização sem fins lucrativos que atua em Maringá e atende diferentes públicos em situação de vulnerabilidade social. Entre as atividades da entidade estão o atendimento a famílias, pessoas em situação de rua, idosos, crianças e pessoas com deficiência, além de ações voltadas à formação de voluntários na região.
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