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LÉO JUNIOR NOTÍCIASBlogDESTAQUESDefesa de investigados por chacina em Icaraíma diz não saber paradeiro de foragidos

Defesa de investigados por chacina em Icaraíma diz não saber paradeiro de foragidos

No momento em que a chacina de Icaraíma completa um ano, a defesa de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo, considerados foragidos pela Justiça, afirma continuar sem informações sobre o paradeiro dos dois investigados. Em entrevista ao OBemdito, o advogado Renan Farah declarou que nunca manteve contato com os clientes durante o período em que eles estão desaparecidos.

“Já passou aproximadamente um ano desde o início deste caso e Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo continuam sem ser localizados. Evidentemente, essa é a primeira pergunta que todos fazem: onde eles estão? E a resposta responsável da defesa continua sendo a mesma: eu não sei onde eles estão e nunca mantive contato com eles durante esse período”, afirmou.

Segundo Farah, os últimos 12 meses foram marcados pela angústia da família, que convive com a incerteza sobre o destino dos dois homens e com a repercussão pública do caso.

“Existe o medo pelo que pode ter acontecido com Antônio e Paulo, existe a angústia de não saber onde eles estão e existe também o peso de assistir diariamente a uma narrativa pública que praticamente os condenou antes de qualquer julgamento”, disse.

Foto: Reprodução

O advogado ressaltou que a defesa reconhece a gravidade do crime e o sofrimento das famílias das quatro vítimas, mas argumenta que a comoção provocada pelo caso não elimina a necessidade de uma investigação ampla e imparcial.

“A família não ignora a gravidade do que aconteceu com as quatro vítimas. São quatro nomes e quatro famílias destruídas. Isso jamais vai ser minimizado. Mas a dor das vítimas não elimina o direito de investigar corretamente quem realmente praticou o crime”, afirmou.

Acesso aos autos

Renan Farah também criticou a existência de procedimentos complementares aos quais, segundo ele, a defesa ainda não teve acesso integral. De acordo com o advogado, embora tenha conseguido consultar os autos principais, novas diligências continuam sendo reunidas em documentos separados.

“Depois de muita insistência, a defesa conseguiu acesso aos autos principais. O problema é que continuam sendo criados apensos aos quais a defesa não tem acesso. Portanto, a defesa acompanha apenas uma parte do que está sendo produzido”, declarou.

Ainda segundo Farah, o sigilo investigativo é importante para preservar diligências em andamento, mas não pode impedir permanentemente o trabalho da defesa.

“Quando existem medidas que atingem diretamente pessoas representadas por advogado, a defesa precisa ter acesso, ao menos no momento adequado, aos elementos já documentados e que digam respeito ao exercício do contraditório”, afirmou.

Fuga não representa culpa, diz defesa

O advogado reconheceu que o fato de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo permanecerem foragidos dificulta a estratégia da defesa e contribui para a associação imediata entre desaparecimento e culpa. No entanto, ele sustentou que a fuga, por si só, não pode ser considerada uma confissão.

“O fato de eles estarem foragidos é grave e evidentemente dificulta a defesa. A fuga gera suspeita, gera uma imagem muito negativa e permite que a opinião pública faça uma associação automática entre desaparecimento e culpa. Mas, juridicamente, fuga não é confissão”, disse.

Farah argumentou que uma pessoa pode desaparecer por diversos motivos, como medo, ameaça ou pela convicção de que não será julgada com imparcialidade. “Apenas a prova pode dizer qual dessas hipóteses corresponde à realidade”, afirmou.

Interpol e novas linhas de investigação

Durante a entrevista, Renan Farah comentou ainda a inclusão dos nomes dos investigados na lista da Interpol. Segundo ele, a medida amplia as possibilidades de localização internacional, mas não representa uma condenação antecipada nem confirma que os dois tenham deixado o Brasil.

“A difusão vermelha serve para localizar pessoas procuradas, não para declarar culpa”, declarou. O advogado afirmou que a defesa continua apontando dúvidas sobre a dinâmica do crime, a participação de outras pessoas e a sequência dos acontecimentos que resultaram na morte das quatro vítimas.

“Existem dúvidas sobre a dinâmica do crime, sobre a participação de outras pessoas, sobre a sequência dos acontecimentos e sobre quem efetivamente executou, ocultou os corpos e prestou auxílio antes e depois dos fatos”, disse.

Por fim, Farah afirmou que espera que Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo sejam localizados e apresentados à Justiça para responder às acusações com todas as garantias previstas na Constituição.

“Nós não queremos impedir a investigação. Queremos que ela chegue ao fim olhando para todos os envolvidos, todas as possibilidades e todas as provas, e não apenas confirmando uma hipótese escolhida no início”, concluiu.

Com informações do Obemdito.

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