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LÉO JUNIOR NOTÍCIASBlogCIDADEAPP-Sindicato divulga nota de repúdio contra transfobia nas eleições da UEM

APP-Sindicato divulga nota de repúdio contra transfobia nas eleições da UEM


Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato emitiu, na tarde desta quinta-feira (20), uma nota de repúdio e solidariedade aos estudantes trans da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Segundo o documento, eles não tiveram o reconhecimento do nome social assegurado no primeiro turno das eleições para a Reitoria da instituição, realizado na última segunda-feira (17). O sindicato entende que expor publicamente os “nomes mortos” dos acadêmicos trans é uma forma de violência institucional.

“O não reconhecimento da identidade de gênero não pode ser tratado simplesmente como uma inconsistência administrativa ou um problema de natureza operacional. Trata-se de uma situação que cria obstáculos efetivos ao exercício da cidadania, à participação política e ao respeito à dignidade de cada pessoa”, diz a nota.

O sindicato exige “uma investigação imediata e medidas de reparação”. Pede também a implementação de procedimentos e correções urgentes que impeçam a repetição do problema no segundo turno do pleito e nas próximas eleições da instituição.

O fato ganhou visibilidade durante a apuração dos votos na tarde de segunda-feira na UEM, quando estudantes protestaram em voz alta: “Chega de transfobia! Vocês estão contando votos de pessoas trans que nem votaram. Transfobia institucional é crime. Respeitem os nossos nomes”, disse a estudante Roriê Gimenes. Ela também postou a manifestação em sua rede social.  Centros acadêmicos da universidade também se manifestaram em solidariedade.

O fato refletiu na campanha das chapas que disputam a eleição em segundo turno. Tanto a “Em Defesa da UEM” como a “União e Democratização” postaram repúdio contra a transfobia em suas redes sociais. “O respeito ao nome social é uma questão de dignidade, reconhecimento e garantia de direitos”, publicou a chapa Em Defesa da UEM, encabeçada por Gisele Mendes. Indignação também compartilhada pela chapa União e Modernização, cujo candidato é Romel Vanderlei: “O respeito ao nome social é inegociável e é garantido por normas federais que se aplicam a órgãos públicos”.

O Maringá Post entrou em contato com a Comissão Eleitoral da UEM e esta matéria será atualizada assim que houver retorno.

Leia abaixo a íntegra da Nota de Repúdio da APP-Sindicato:

Pelo direito de existir, votar, estudar e ocupar a universidade sem transfobia!

A Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato vem a público manifestar seu mais profundo repúdio às graves irregularidades registradas durante o processo eleitoral para a Reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

De acordo com relatos apresentados pelo movimento estudantil e por integrantes da comunidade universitária, as listas utilizadas para votação não asseguraram o devido uso e reconhecimento dos nomes sociais e dos nomes retificados de estudantes trans. Essa situação configurou uma violação ao direito de participação eleitoral e, ao expor publicamente seus chamados “nomes mortos”, provocou constrangimento, humilhação e uma forma de violência institucional.

O não reconhecimento da identidade de gênero não pode ser tratado simplesmente como uma inconsistência administrativa ou um problema de natureza operacional. Trata-se de uma situação que cria obstáculos efetivos ao exercício da cidadania, à participação política e ao respeito à dignidade de cada pessoa. A universidade pública, enquanto espaço de produção de conhecimento e transformação social, deve promover acolhimento, respeito à diversidade e garantia de direitos, jamais contribuir para a manutenção de práticas de transfobia estrutural.

A Universidade Estadual de Maringá possui importante responsabilidade na promoção e consolidação de políticas de inclusão e respeito à diversidade no Paraná. Diante disso, o episódio registrado no primeiro turno do processo eleitoral exige uma investigação imediata, a adoção de medidas de reparação diante dos direitos violados e a implementação de correções que impeçam a repetição do problema nas próximas etapas da eleição.

Diante do exposto, reivindicamos que a Reitoria e a Comissão Eleitoral da UEM adotem, com urgência, todas as medidas necessárias para garantir, no segundo turno, o pleno respeito à identidade de gênero das pessoas trans integrantes da comunidade acadêmica. Cabe às instituições públicas qualificar seus procedimentos e estruturas administrativas, assegurar a observância da legislação vigente e garantir que nenhuma pessoa seja submetida a constrangimento, exposição indevida ou tenha seu direito ao voto dificultado ou impedido em razão de sua identidade de gênero.

A APP-Sindicato reafirma sua solidariedade às estudantes e aos estudantes atingidos(as) e segue firme na luta por uma educação pública, gratuita, laica, inclusiva e livre de qualquer forma de discriminação.

Nossa luta é por direitos, respeito e pela vida da população trans!

Curitiba, 20 de agosto de 2026

Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato



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