Ela já tinha uma vida profissional estabilizada e encaminhado a criação dos dois filhos, na época adolescentes, quando decidiu levar o amor de mãe – aquele que nunca tem fim – para outras crianças. Desde 2011, a Sueli Canejo é uma das voluntárias do ‘Família Acolhedora’ em Maringá.
O projeto, que entrou em vigor em nível nacional em 2006, arranja lares temporários para crianças e adolescentes que, por motivos diversos, foram afastados judicialmente do convívio com as famílias biológicas. Em Maringá, a iniciativa passou a vigorar em 2007 e já atendeu, neste período, 429 crianças.
Dessas mais de 400 atendidas, 37 passaram pela casa da Sueli ao longo dos últimos 15 anos, período em que ela está inscrita como voluntária. Ele se dispõe a colaborar com o acolhimento de bebês recém-nascidos, cuidando e dando amor até que as crianças possam voltar para as famílias de origem ou sejam encaminhadas para a adoção.
Na casa dela, um quarto é preparado especialmente apenas para receber as crianças. Cada bebê tem o seu enxoval, com sapatinhos, roupinhas e brinquedos. Muito além das questões materiais, a presença da mãe provisória também é marcante, cuidando dos acolhidos como se fossem filhos do próprio sangue.
“Eu conheci uma outra mãe, também acolhedora, quando eu estava levando meu filho no médico, anos atrás e eu achei um projeto muito maravilhoso. Acolher é você abrir as portas da sua casa e do seu coração por um tempo para uma criança que precisa de cuidados. Então, você dá um lar, um carinho, uma rotina até a Justiça ir trabalhando para escolher o melhor para a criança. É super tranquilo, eu já estou esse tempo todo, 15 anos, já acolhi vários e para mim é maravilhoso. Eu acho que a gente não substitui ninguém, a gente acolhe”, descreveu a voluntária.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualmente há mais de 2 mil crianças em lares temporários em todo o Brasil. O Paraná concentra 1/5 do número de famílias voluntárias no país, com a iniciativa chegando a 115 municípios do Estado.
Em média, cada criança fica no lar provisório por cerca de dois meses e toda a família acaba integrada ao processo. Se antes os dois filhos tinham ‘ciúmes’ em dividir a mãe, hoje, adultos, não escondem a empolgação em ganhar novos irmãos e irmãs.
“Toda a família me ajuda. Eu tenho uma rede de apoio boa. A minha nora me ajuda quando eu preciso sair e eu não posso levar ela. Os meus filhos vêm almoçar todo domingo. Aí, quando eu acolho novamente, eles falam ‘vamos lá conhecer a nova irmã, o novo irmão’ (risos). Meu marido também sempre está me ajudando. Onde eu vou, a rede de apoio toda me ajuda. Todo mundo ajuda. Todo mundo sabe que eu sou acolhedora, é muito bom”, afirma.
“O adeus é um pouquinho doloroso, mas não diminui o amor”
Um dos requisitos para as famílias interessadas em serem voluntárias do ‘Família Acolhedora’ é não terem a intenção de adotar e nem estarem cadastradas na fila de adoção. Mesmo conhecendo as regras e já tendo vivenciado este momento tantas vezes, o momento da despedida do filho provisório é sempre doloroso.
“É, na hora do adeus é um pouquinho mais doloroso, mas não diminui o amor. É um luto que a gente vive e está tudo bem, assistente social liga antes, a gente se prepara, eu faço um álbum, registro todos os momentos, tanto para a família adotante quanto para a criança saber que nesse período ela foi amada, ela foi cuidada. Sempre converso com eles, falo que nós fomos os pais ali temporários, mas que foram muito amados e que Deus preparou aquela família, demorou um pouquinho mais porque Deus estava preparando aquela família. O choro sempre vem, mas não tira aquela coisa de dever cumprido”, finaliza.
Como se tornar um voluntário?
Em 2026 são 27 famílias cadastradas e aptas a receberem crianças como lares temporários por intermédio do ‘Família Acolhedora’ em Maringá, segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS). As interessadas podem se cadastrar diretamente pelo site da SAS (Clique aqui para acessar).
Após o cadastro, os interessados passarão por uma triagem e, caso aprovados, deverão participar dos cursos de capacitação, abertos duas vezes por ano. Todos os critérios para inscrição no programa podem ser lidos neste link.


