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Sem verba obrigatória, segurança pública depende de “consciência histórica”, critica secretário

Maringá Post
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Diferente de áreas como saúde e educação, que contam com fatias obrigatórias dos orçamentos públicos garantidas pela Constituição, a segurança pública no Brasil enfrenta um gargalo financeiro estrutural. Sem vinculação direta de receitas, o setor depende da vontade política de gestores para receber investimentos em fardamento, viaturas e pessoal.

Para analisar esse desafio econômico, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o secretário de Segurança Pública de Maringá, delegado Luiz Alves. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o secretário fez uma crítica direta à legislação federal e explicou como a falta de recursos carimbados afeta os municípios.

Durante a entrevista, o delegado destacou que a ausência de um percentual fixo atrofia o planejamento de longo prazo nas cidades brasileiras. “Você tem verba obrigatória para a saúde, correto? Você tem verba obrigatória para a educação. Você não tem verba obrigatória nenhuma para a segurança”, apontou Alves.

Segundo o secretário, essa lacuna na lei gera uma cultura reativa na administração pública. O investimento só acontece quando a criminalidade foge do controle. “Sabe qual é o grande problema da segurança? Sabe quando as pessoas pensam em segurança? Quando precisa dela”, criticou.

A falta de um orçamento previsível reflete na ponta do serviço, quando o policial ou o guarda municipal precisa de condições adequadas para responder ao chamado do cidadão.

“Agora, quando você precisa estruturar a segurança para quando você precisar dela — o aparato estar treinado, estruturado, com viatura, com armamento, com pessoal — você não tem, porque você só vai pensar quando você precisar dela. Aí você vai precisar dela, ela não vai te dar o suporte necessário porque o policial não tem condição estrutural de fornecer na medida de qualidade que você exige, e aí vêm as críticas”, desabafou o secretário.

Apesar das limitações do cenário nacional, Alves ressaltou que a prefeitura de Maringá tem buscado reverter esse quadro localmente na gestão do prefeito Silvio Barros, aportando recursos municipais para a compra de armamentos modernos, contratação de novos agentes e fortalecimento dos treinamentos da Guarda Civil Municipal.

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o delegado Luiz Alves está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas plataformas de áudio.

 

 

Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio