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Pedido de remoção de árvore mais antigo de Maringá aguarda serviço desde 2006; cidade tem fila de 6,4 mil remoções

Maringá Post
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Espécime de sibipiruna de grande porte na rua São Marcelino Champagnat, na Zona 02, tem laudo de engenheiro florestal da Prefeitura autorizando a remoção desde 2012, mas serviço ainda não foi executado. Locatário de imóvel relata preocupação com possível queda, enquanto Prefeitura cita logística para justificar a não remoção até o momento.

A rachadura nas calçadas provocada pelas raízes da árvore é só um dos problemas pontuados pelo Pedro Noel. A sibipuruna de mais de 15 metros de altura localizada em frente ao imóvel locado por ele, na rua São Marcelino Champagnat, na Zona 02, é a árvore que está há mais tempo aguardando remoção por parte da Prefeitura de Maringá.

O protocolo feito pelo antigo dono da residência é datado de 30 de outubro de 2006. Em 30 de maio de 2012, um laudo emitido por engenheiro florestal do município indentificou a necessidade de remoção do espécime, em razão da inclinação e da árvore, supostamente, estar morta. 14 anos depois do laudo e quase 20 após a solicitação, o serviço ainda não foi feito.

No imóvel, Noel mantém os atendimentos da clínica dele, onde atua como terapeuta. Em entrevista ao Maringá Post, o profissional relatou que os problemas foram se agravando ao longo dos anos. “O que a gente consegue perceber só de olhar para ela é que ela (a árvore) já está morta, as cascas estão caindo, galhos estão caindo. Já tivemos problema com a fiação, já caiu sobre a fiação. A calçada não adianta a gente fazer nada agora por causa das raízes, dá para perceber como ela está quebrando a calçada por baixo. Até a infraestrutura da coluna do portão também está afetando. Então é um problema sério que precisa de uma remoção, uma troca dessa árvore para depois a gente conseguir mexer na calçada”, disse nesta quarta-feira (17).

A própria Prefeitura de Maringá, em um novo laudo emitido no dia 21 de maio deste ano, admitiu que a situação se agravou. Segundo o engenheiro florestal do município, a árvore está “parcialmente seca, sem condições de poda e recuperação, e com risco de queda iminente de galhos grossos”. O documento foi consultado pela reportagem através do Portal da Arborização, da Secretaria de Limpeza Urbana (Selurb).

Atualmente no topo da lista de prioridades da Prefeitura para remoção, a árvore na rua São Marcelino Champagnat divide a lista com outros 415 protocolos classificados como “Emergência”, que representam “risco iminente de queda” na análise da própria Secretaria. Dessas, quase 10% (36, conforme dados levantados pela reportagem nesta quarta) estão na fila há, pelo menos, 10 anos.

Ao todo, são 6,4 mil árvores com laudo aguardando remoção em Maringá, além de outros 10,2 mil pedidos que ainda esperam vistoria. Os dados são da própria Selurb.

Pedro relatou que ele chegou a procurar o poder público antes de descobrir que o antigo dono do imóvel já havia feito protocolo. “O que a gente podia fazer de forma online ou até pelo telefone no 156 a gente fez. O que a gente escuta é que está em aguardo, está autorizado e está na fila”, finaliza.

Prefeitura fala em “planejamento técnico e operacional” para justificar a não realização até o momento

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Maringá falou sobre a árvore da Zona 02. Por meio de nota, o Executivo explicou que “o fato de o protocolo ocupar a primeira posição não afasta a necessidade de planejamento técnico e operacional para que o serviço seja realizado com segurança”. Segundo o município, “a rua São Marcelino Champagnat é uma via de mão única e com fluxo intenso de veículos. Em determinados períodos, não há condições de realizar a interdição total da via, sendo necessária uma operação com interdição parcial, sinalização e controle do trânsito, o que aumenta o tempo necessário para a execução”.

Ainda conforme a Prefeitura, além deste protocolo “existem, no mesmo trecho e nas proximidades, outros protocolos com parecer. Por essa razão, a Prefeitura está organizando uma ação coordenada para atender, na mesma mobilização, o protocolo mencionado e outros serviços prioritários próximos”.

“Desde o ano passado, o Município passou a organizar parte dos atendimentos considerando também critérios logísticos e operacionais, concentrando serviços de uma mesma região sempre que isso for tecnicamente possível. Essa medida reduz deslocamentos repetidos de máquinas pesadas, evita sucessivas interdições da via e proporciona melhor aproveitamento das equipes, do tempo e dos recursos públicos”.

Na mesma nota, o Executivo finaliza afirmando que o referido protocolo “está incluído na programação operacional. A definição da data deverá considerar a disponibilidade simultânea das equipes e dos equipamentos, as condições de trânsito e segurança e se necessária, a atuação conjunta com a Copel”.

Executivo evita falar em prazo para zerar a fila de remoções

A reportagem também questionou a Prefeitura de Maringá sobre o planejamento para lidar com a fila de remoções. De acordo com o Executivo, “a meta da Prefeitura é reduzir continuamente o passivo e restabelecer um fluxo regular de atendimento, sem estabelecer, neste momento, um prazo fechado para zerar a fila”.

Segundo a administração municipal, “atualmente, existem aproximadamente 6.400 protocolos com parecer técnico aguardando algum tipo de execução e cerca de 10.200 solicitações que ainda aguardam vistoria. Após a avaliação, essas solicitações poderão gerar indicação de poda, remoção, desbarra, monitoramento ou outra providência técnica. Portanto, nem todos os protocolos resultarão em remoção”.