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Os ‘Anjos’ que livram o trânsito para a esperança de vida passar 

Os ‘Anjos’ que livram o trânsito para a esperança de vida passar 

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Quando uma sirene ecoa pelas ruas da cidade, motoristas e pedestres ficam em estado de alerta. Podem ser viaturas da polícia, carros do corpo de bombeiro, ambulâncias ou a urgência de parar o trânsito para a vida passar. Na Secretaria de Mobilidade Urbana (SEMOB), uma seleta equipe de servidores públicos tem a missão de escoltar os carros que fazem o transporte de órgãos destinados para transplantes.

Formado por motociclistas treinados para criar “corredores livres”, o Grupo de Ações Rápidas de Trânsito (Gart) é o “anjo da guarda” dos motoristas responsáveis por conduzir as viaturas, que correm contra o tempo. A ação deles proporciona segurança e rapidez. “O nosso papel é garantir que o Estado cumpra a função primordial, que é salvar vidas”, comenta o secretário de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, em entrevista ao Maringá Post.

Luciano explica que a equipe é acionada pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) ou pela Central de Transplantes. Cada atendimento é realizado por, no mínimo, quatro agentes. Há uma escala de plantão para atender a todas as solicitações.

Corrida contra o tempo

O relógio é um dos principais entraves no processo de transplante, por causa do tempo de isquemia. Esse termo se refere ao período entre a retirada do órgão no doador até voltar a funcionar no receptor.

O prazo varia, dependendo do órgão. O coração tem o menor tempo de tolerância. Suporta apenas quatro horas sem fluxo sanguíneo; o pulmão, tolera até seis horas; o fígado, ganha um alto nível de risco após 13 horas; e o rim pode resistir até 36 horas, porém a recomendação é de que o órgão seja alocado no novo corpo em até 24 horas.

Aline Cardoso Machado, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos da Macrorregião Noroeste, afirma que a equipe do GART sempre é acionada, visando reduzir ao mínimo este tempo de isquemia. “Com a nossa viatura de urgência, eu tenho que reduzir no semáforo para ter certeza que as pessoas pararam. O batedor evita esse risco e agiliza o processo.”

Números

No ano passado, em Maringá, foram captados 17 fígados e 48 rins, além de um coração e dois pulmões. No Noroeste, o impacto é ainda maior, somando 102 rins, 39 fígados, 5 corações, 4 pulmões e 1 pâncreas.

Ao todo, em 2025, o Estado do Paraná realizou 773 transplantes de órgãos sólidos e 1.066 transplantes de córneas. Foram 445 rins; 285 fígados; 31 corações; 8 pâncreas e rins; e 4 fígados e rins.