DESTAQUES DO DIA

Colecionador maringaense tem acervo com mais de 3,5 mil discos de vinil: ‘hobby que não tem público ou idade’

Colecionador maringaense tem acervo com mais de 3,5 mil discos de vinil: 'hobby que não tem público ou idade'

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Foi na década de 1980 que Andye Iore descobriu a paixão pelo colecionismo. Aos 14 anos, quando arrumou o primeiro emprego em uma loja de discos, em Foz do Iguaçu, ele começou a comprar os primeiros vinis. “Ali começou uma perdição. Praticamente metade do meu salário ficava na loja comprando discos”, relembra.

Deste “hobby”, ainda nos anos 1990, ele fundou em Maringá o “Porão”, uma das primeiras lojas de discos especializadas em rock do interior do Paraná.

Os anos se passaram, a família voltou para Marigná e o colecionador mudou de profissão, se tornando Jornalista. A atração pela música, no entanto, seguiu a mesma. Passados mais de 40 anos, o acervo cresceu e, hoje, Andye se orgulha de uma coleção de mais de 3,5 mil discos de vinil.

Os LP’s ocupam praticamente dois cômodos inteiros da casa dele, no Jardim América, em Maringá. Andye faz questão de não misturar os discos particulares dos volumes que ele comercializa para outros colecionadores. Atualmente “aposentado” do Jornalismo, ele assumiu a coordenação do “Circuito Viniltagem”, um grupo de expositores e vendedores de discos que, periodicamente, percorrem cidades do Paraná, São Paulo e Santa Catarina realizando feiras. A Cidade Canção, inclusive, é um dos destinos mais movimentados.

A logística de cada feira começa dias antes, organizando passagens de ônibus, hotel e o transporte das mercadorias. Para cada cidade que vai, Andye costuma levar aproximadamente 600 dos mais de 9 mil discos do estoque de vendas, que também são feitas pela internet. Diferentemente do que muitos pensam, o mercado do vinil no Brasil segue aquecido.

Coleção ocupa quase dois cômodos inteiros da casa dele, que leva 600 discos para vender em cada feira | Foto: Victor Ramalho/Maringá Post

“Existe uma coisa de mercado que é bem comum você ver na imprensa hoje sendo abordado de maneira errada, as pessoas falam assim “ah, o vinil voltou”. Não existe volta do vinil, o que aconteceu é que o mercado só mudou no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos continuou fabricando vinil paralelo ao CD, só que numa tiragem menor, porque vendia menos, então nós colecionadores, nós continuamos comprando vinil todos esses anos”, explica.

Fã de punk rock, ele afirma não ter um disco favorito entre os mais de 3,5 mil do acervo particular. “Eu gosto mais de punk rock, eu tenho bastante coisa, mas assim, tem muita coisa rara, né, porque é coisa de época, e no decorrer dos tempos eu ia comprando bastante coisa, e eu sempre tive a sorte de ter um bom salário, então eu sempre consegui comprar os discos raros, assim, que são mais difíceis. Mas não tenho um específico (favorito), não, eu gosto muito de punk rock, e tenho, a maior parte da minha coleção é de punk rock. O acervo também, eu trabalho com uma linha especializada em rock, então eu tenho um movimento bom nas feiras, nos eventos, tanto na página da internet, por causa disso eu tenho um tipo de acervo que não costuma ter nas outras lojas”, descreve Andye.

Hobby não tem perfil ou idade

Fundador do Clube do Vinil de Maringá, ainda antes de assumir a coordenação do Viniltagem, Andye se diz feliz em observar o mercado do colecionismo ainda em expansão. “As pessoas costumam perguntar se há um perfil de quem compra discos hoje. Não tem, é um hobby que não tem público ou idade, você vai nas feiras e tem gente de todas as idades, todos os gostos, vai desde o cara mais velho que comprava LPs de época durante a adolescência até o pessoal mais jovem, que está pegando a época das gravadoras lançarem em vinil alguns clássicos da atualidade”, conta.

Apesar dos discos mais raros, ele garante que não é um hobby caro. “Existe muita bobagem sobre isso na internet, as pessoas falam ‘ah, o disco é muito caro’, mas você não é obrigado a comprar o disco mais caro. Eu tenho disco de R$ 10, então depende da escolha da pessoa, a pessoa pode comprar um disco de R$10 em bom estado e curtir o disco, mas tem disco de R$ 1.000, então depende muito da pessoa, o aparelho também é a mesma coisa, se você quer um aparelho pra você ouvir em casa, igual a gente tá aqui conversando e ouvindo músicas, você não precisa ter um aparelho sofisticado de R$ 30.000 tem um aparelho que é preço de um carro e tem aparelho hoje que custa R$ 200, então depende muito do seu interesse”, afirma.

Quem deseja comprar discos de vinil com o Andye, pode consultar a disponibilidade dos LPs diretamente com ele, a partir da página “O Porão” no Instagram (clique aqui para acessar). Já a agenda das próximas feiras do “Viniltagem” também pode ser vista nas redes sociais (clique aqui para seguir).