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Cair não é normal! O que uma queda pode revelar sobre a saúde de idosos

Cair não é normal! O que uma queda pode revelar sobre a saúde de idosos

No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama atenção para um dos principais desafios para a saúde, a autonomia e a qualidade de vida da população idosa. Embora ainda seja comum associar quedas ao envelhecimento, especialistas reforçam que elas não são uma consequência natural da idade e, em muitos casos, podem ser prevenidas.

“Esse é um dos maiores mitos relacionados ao envelhecimento: envelhecer não significa necessariamente cair. Embora ocorram algumas mudanças fisiológicas ao longo da vida, as quedas não devem ser consideradas normais ou inevitáveis. Na maioria das vezes, elas resultam da combinação de diferentes fatores de risco que podem ser identificados e tratados”, afirma Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG.

Segundo a especialista, toda ocorrência deve ser investigada, mesmo quando não há lesões aparentes. “A queda costuma ser um evento sentinela. Ela pode indicar perda de força muscular, alterações de equilíbrio, efeitos adversos de medicamentos, problemas visuais, doenças neurológicas, cardiovasculares e até declínio cognitivo. Mais importante do que tratar as consequências é compreender por que ela aconteceu para evitar novos episódios”, explica.

Entre os principais fatores associados ao aumento do risco, estão perda de força muscular, sarcopenia, alterações da marcha e do equilíbrio, sedentarismo, uso de múltiplos medicamentos, doenças crônicas e déficits visuais e auditivos. “Quando falamos em quedas, estamos falando também sobre preservação da autonomia. Um único episódio pode desencadear perda de independência, redução da mobilidade, necessidade de cuidadores, isolamento social, sintomas depressivos e piora significativa da qualidade de vida. Após uma fratura importante, especialmente de quadril, muitas pessoas idosas não conseguem recuperar completamente o nível funcional que tinham antes”, alerta Isabela.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é o impacto emocional. “Existe uma condição conhecida como síndrome pós-queda. A pessoa passa a evitar atividades por preocupação em cair novamente e, com isso, reduz sua movimentação. Quanto menos ela se movimenta, mais perde força muscular, equilíbrio e condicionamento físico, aumentando ainda mais a probabilidade de novos acidentes. Em muitos casos, o medo produz mais incapacidade do que a própria queda”, acrescenta.

Quando uma queda revela fragilidades invisíveis

“A idade sozinha não conta toda a história. Duas pessoas podem ter a mesma idade cronológica, mas reservas físicas completamente diferentes. Uma pode ter boa massa muscular, equilíbrio preservado e ossos saudáveis. Outra pode conviver com sarcopenia, osteoporose e fragilidade. Por isso, uma mesma queda pode representar apenas um susto para uma pessoa e o início de uma cascata de eventos graves para outra”, explica Ana Laura de Figueiredo Bersani, médica geriatra e presidente da Comissão de Osteometabolismo da SBGG.

Segundo a especialista, quedas não devem ser encaradas apenas como acidentes isolados. “Uma fratura de quadril, por exemplo, frequentemente está associada à perda de independência, necessidade de cuidados permanentes e aumento do risco de hospitalizações. Por isso, prevenir quedas e cuidar da saúde óssea são estratégias fundamentais para preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.”

Ana Laura destaca ainda, que a relação entre quedas e saúde óssea é inseparável. “A osteoporose fragiliza os ossos, enquanto a queda costuma ser o gatilho para a fratura. Muitas vezes, a primeira manifestação da doença ocorre após uma queda da própria altura. Por isso, a queda também deve ser vista como um sinal de alerta e uma oportunidade de investigar fragilidades que ainda não haviam sido identificadas.”

“Uma queda deve ser vista como um sinal de alerta para a necessidade de um cuidado mais atento e individualizado. Além de tratar possíveis lesões, é fundamental olhar para os fatores que influenciam a mobilidade, a funcionalidade e a segurança da pessoa idosa”, afirma Núbia Carelli Pereira de Avelar, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia pela SBGG, presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SC e integrante do Grupo de Trabalho sobre Quedas da entidade.

A prevenção e a recuperação exigem uma abordagem multifatorial, envolvendo atividade física regular, avaliação das condições de saúde, revisão medicamentosa, alimentação adequada e adaptação dos ambientes. Como resume Núbia, “as quedas podem ser prevenidas e, mesmo quando acontecem, existem possibilidades de recuperação e reabilitação”.

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