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Bandas, selos e lugares para conhecer em Maringá

Bandas, selos e lugares para conhecer em Maringá
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No dia 13 de julho, o mundo celebra o Dia Mundial do Rock, data eternizada pelo festival Live Aid em 1985. Mas, longe dos mega shows e dos grandes holofotes internacionais, o gênero sobrevive e se renova diariamente no circuito independente. Em Maringá, a cena do rock, do punk, do hardcore e de vertentes alternativas pulsa forte graças a um ecossistema local resiliente, formado por músicos dedicados, produtoras corajosas e espaços que abrem as portas para o som autoral e local.

O Maringá Post traz uma reportagem especial, para celebrar esse dia, que é paixão de muita gente, trazendo à tona músicos, bandas, produtoras musicais e espaços que fortalecem a cena underground e independente em Maringá.

Banda de metal punk formada em Maringá após a pandemia, a Rötö já lançou dois EPs entre 2024 e 2025. Formada por um trio de músicos já conhecidos na cena underground maringaense, o conjunto atualmente está trabalhando em um álbum de estúdio e uma turnê que passa por alguns países da América Latina, como Argentina e Chile.

O baixista Rafael Gil Silveira destaca que o cenário atual da banda está focado no entrosamento da nova formação e nos próximos trabalhos.

Atualmente, a Roto está concentrando suas energias na organização e no entrosamento de nossa nova formação. O planejamento da banda está mirando alto para os próximos passos profissionais. Estamos estruturando uma turnê internacional e, paralelamente, desenvolvendo as bases para o lançamento do nosso próximo álbum de estúdio, que será o primeiro registro oficial com a nova formação.

Já o guitarrista e vocalista Victor Machado afirma que traz às seis cordas da Rötö influências que vão além do metal e além do punk, com elementos de grindcore e crust punk que acabam sendo inseridos na sonoridade da banda.

Minha contribuição para a identidade sonora da Roto é o reflexo direto das minhas principais influências, que unem o Heavy Metal e o Punk na construção do nosso Metal Punk. Minha bagagem musical se baseia essencialmente em vertentes como o Crust Punk, o Metal Punk e o Grindcore. Sempre acompanhei muito a escola do metal tradicional e do Death Metal, especialmente as bandas clássicas do gênero e a influente cena sueca. No Punk, minhas referências passam por nomes como Ramones e Ratos de Porão, além de projetos internacionais como a banda Inepsy, o Motörhead e diversos grupos da cena Crust finlandesa.

Banda de Stoner Rock de Maringá, o grupo vêm lançando materiais autorais desde 2023. Com um EP e um álbum gravados e disponíveis nas plataformas de streaming, o quarteto mescla, dentro do stoner, gêneros como heavy metal, rock progressivo e sludge metal.

O músico Iago Selem, que é guitarrista por formação, assumiu o posto de baixista na criação da banda, em meados de 2021.

Fiquei em hiato por cerca de um ano e meio até que, em 2021, conheci o baterista da Negative Space no aniversário de uma amiga. Eles precisavam de um baixista que também cantasse. Eu já cantava em uma antiga banda que tinha, mas nunca tinha encostado em um baixo na vida. Ainda assim, assumi a responsabilidade. Eles me conseguiram um instrumento emprestado, fiz um teste tocando alguns covers e deu certo. Eles gostaram do meu estilo de voz e da minha abordagem no baixo, que sempre foi muito baseada no feeling e no improviso.

Selem destaca que durante o processo de criação da banda, a proposta sempre foi fazer um som autoral, com a identidade de cada integrante mas, ao mesmo tempo, trazendo influências de grandes nomes do stoner e doom metal.

Quando entrei na Negative Space, a banda tinha apenas duas ou três músicas prontas. Eu propus focarmos exclusivamente no trabalho autoral. Começamos a compor em um ritmo muito veloz; quase todo ensaio rendia uma música nova, comigo escrevendo as letras e criando as harmonias de voz. Minhas composições são muito influenciadas pelo Stoner Rock e pelo Doom Metal, vertentes das quais considero o Black Sabbath os precursores. Conforme fui me aprofundando nesse nicho underground, passei a acompanhar de perto a cena da Grécia, que é um forte berço do gênero atualmente, com bandas como 1000mods, Planet of Zeus e Nightstalker. Busco trazer muito dessas referências para os meus riffs.

Atualmente, a banda tem trabalhado em um novo álbum, que deve ser lançado no primeiro semestre de 2027, além de shows em outras regiões, levando o stoner metal para novos e diferentes públicos.

Com a Negative Space, já passamos por quase todos os palcos de Maringá, incluindo o Porão, o Tribos e o extinto Barba Rala. Também chegamos a ir para Curitiba participar de um festival de bandas, onde fomos classificados para a final. Atualmente, estamos buscando contatos para circular mais e levar nosso som para fora da região, pois acreditamos no potencial do projeto dentro do nicho do metal e do stoner. Em relação aos próximos lançamentos, a Negative Space planeja lançar três novos singles ainda este ano, que já foram gravados e estão em fase de mixagem. O passo seguinte é gravar o restante do material para lançar nosso álbum completo no primeiro semestre do ano que vem.

Proletas é a primeira banda de punk de Maringá. Formada no final da década de 80 pelos amigos Mamá e Guinho, a banda passou pela virada do milênio, trocou de formação, entrou em hiato e voltou. Recentemente, lançou um EP ao lado da banda de street punk Rota 54, de São Paulo – sendo este EP a primeira gravação oficial em distribuição por um selo musical. Desde quando surgiu, o Proletas é um dos principais e mais importantes nomes da cena underground do interior paranaense.

Carlos Tostes, o Mamá, vocalista do Proletas, relembra momentos importantes da vida do Proletas e destaca os grandes momentos vividos pelo grupo nos palcos e ruas – este último, onde gostam muito de tocar.

Ao longo desses anos, vivemos momentos marcantes, tanto em shows pequenos quanto em grandes festivais. Entre os destaques, estão o Festival HC de Londrina, em 1994, e um circuito de shows que organizamos em Maringá em setembro de 1996, reunindo diversas bandas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Outro marco muito importante foi nossa apresentação no Femucic, no primeiro ano em que o festival abriu espaço para o rock. Foi a primeira vez na vida que pudemos transmitir nossa mensagem de cima de um palco com estrutura e som totalmente profissionais. Essa visibilidade abriu portas para circular em turnês pelo interior do Paraná no formato “faça você mesmo”, dividindo o palco com grupos de fora. Para nós, tocar em uma grande estrutura profissional tem o mesmo valor e importância que ocupar espaços públicos, ruas e calçadas. Toda forma de ocupação cultural é válida.

Para Tostes, o punk é representatividade e muitas pautas como a vivência LGBTQIAPN+ ainda são tratadas como tabu dentro no movimento.

Para mim, a melhor parte de estar nos palcos é a resposta que recebemos após o término do show. É gratificante descer do palco e ver que alguém prestou atenção nos discursos feitos entre as músicas, elogiou uma letra específica ou simplesmente cantou junto as nossas composições, algo que nunca imaginamos que aconteceria. Esse contato direto é o que mais importa. Recentemente, após um show em Londrina com a banda Surface, fui abordado por uma pessoa trans que destacou a importância das minhas falas no palco sobre o movimento LGBTQIAPN+ e a necessidade de respeito dentro do punk, que infelizmente ainda é um meio onde o tema é tratado como tabu.

Há muita vida  para o Proletas, que prepara aos fãs e amigos um lançamento importante em termos de música, referência e relevância: a banda maringaense irá gravar um split ao lado dos punks do DZK, uma das mais importantes bandas do gênero.

Atualmente, estamos preparando o lançamento de outro compacto muito significativo para a nossa carreira: um split com o DZK, uma das bandas pioneiras do movimento punk no Brasil. Enquanto esses dois materiais focam na regravação de composições antigas da nossa trajetória, estamos concentrando nossas energias na criação de um repertório inédito. Temos muitas letras novas e atualizadas e estamos entusiasmados para estruturar esse novo setlist ainda este ano.

O Turbulence foi uma das bandas mais expressivas que surgiram em Maringá na última década. Com um trio que tocava metal punk, com influências sólidas de bandas como Motörhead e Discharge, a banda lançou dois EPs e um álbum.

Thiago Barth, que chegou em Maringá na metade da década de 2010, vindo da região oeste do Paraná, conta que sempre teve muitas influências do metal desde muito jovem, mas que na Cidade Canção o punk acabou se tornando mais presente na sua trajetória.

Em 2015, mudei para Maringá e percebi que a cidade tinha uma inclinação muito mais voltada à cena Punk. Para o meu amadurecimento musical, a fundação do Turbulence foi o resultado exato da fusão entre a escola do Metal que absorvi em Cascavel e o movimento Punk que encontrei em Maringá.

A banda, apesar de não estar mais em atuação, segue sendo uma das mais lembradas quando se fala de música underground em Maringá. O Turbulence, segundo Barth, foi formado para produzir um som minimalista e rápido, mas ao mesmo tempo agressivo.

A ideia central de formar o Turbulence era ter um power trio de formato minimalista, rápido e direto. Nossas influências diretas passavam por Motörhead, Anti-Cimex, Venom, Discharge, GBH e até o Grindcore. Mas minhas referências vão além do do rock; gosto muito de ritmos brasileiros como o Forró e o Samba, e essa bagagem acaba influenciando sutilmente a forma como lido com as quebras de tempo e a dinâmicas na música pesada.

Arthur Henrique é o nome por trás do selo guitarrinhas produções. A produtora independente nasceu em 2010, quando Arthur ainda era menor de idade, mas já pensava em construir carreira na área da produção musical.

Eu decidi começar nesse ramo ainda quando eu era menor de idade e gostava muito de bandas independentes novas, e a velha guarda da produção não abria espaço pra essas novas bandas chegarem na cidade, então comecei a estagiar numa produtora e já com 16 anos produzi meu  primeiro evento.

Por trás de cada show e cada evento, há muito empenho para fazer a cena acontecer. O produtor destaca que uma das principais dificuldades de se fazer eventos musicais independentes fora dos grandes centros é a logística.

Aqui no interior, a maior dificuldade é sempre a logistica, é muito dificil uma banda se deslocar pra uma cidade que fica fora das rotas da capitais pra pra fazer um show, acho que a recompensa é esse reconhecimento que vem de fora e acaba atraindo as bandas pra cá.

A Fofo Records nasceu, oficialmente, em 2020, com nome e identidade visual. Mas o músico Rafael Gil Silveira, que está por trás do selo, conta que está no ramo de produção musical desde o início dos anos 2000.

Eu sou envolvido em shows desde início dos anos 2000, mas fiquei fora pro um longo período, retomando em 2018, junto com meu bar e, em 2020, fundando o selo Fofo Records pra produzir mais show na cidade e na região.

O produtor destaca os principais desafios enfrentados para quem trabalho com música independente e underground no interior, mas que após cada evento, sempre há a recompensa.

Dificuldades no underground são inumeráveis . Desde local, público, venda de ingressos. A única recompensa é não tomar prejuízo e conhecer e rever vários bons amigos que a pista traz.

O Tribo’s Bar é, de fato, o lar da música independente e underground de Maringá. Desde a década de 1990 é um espaço voltado para o público que ama rock, seja qual for a sua vertente.

Idealizado por Junior Batista – que faleceu em junho -, o Tribo’s já abrigou nomes de gigantes da música nacional e internacional, como Cólera, Varukers, Wander Wildner e Brujeria.

O Tribo’s também sempre foi espaço para as bandas novas e locais: muitas das bandas que nasceram – e morreram – em Maringá tiveram a oportunidade de subir a um palco, pela primeira vez, no palco do Tribo’s.

Hoje, o espaço segue seu legado e é tocado adiante por Dhamy Vieira Brito, esposa de Junior.

O Porão Bar se consolidou em Maringá como um dos principais espaços voltados para o rock e o underground.

Mais do que um espaço de entretenimento, o Porão funciona como um polo de resistência musical, reconhecido por abrir as portas para bandas locais e de projeção nacional em suas mais diversas vertentes, passando do rock clássico ao metal extremo, passando pelo punk, stoner e hardcore.

O MPB Bar é o grande reduto da diversidade musical do rock e seus subgêneros em Maringá.

O MPB ostenta o título de uma das casas noturnas mais longevas e tradicionais da cidade, moldando o comportamento noturno de gerações de jovens e adultos há mais de duas décadas.