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Álbum da Copa reacende movimento nas bancas de revista em Maringá

Álbum da Copa reacende movimento nas bancas de revista em Maringá
Tempo de leitura: 3 min

Por Mari Parma

Em meio às novas formas de consumo e à expansão das vendas para supermercados, aplicativos e lojas de conveniência, as bancas de revista permanecem mantendo uma tradição que atravessa gerações: a coleção de figurinhas da Copa do Mundo. Em Maringá, o lançamento do álbum voltou a movimentar esses espaços, reunindo crianças, pais e avós em torno das trocas de figurinhas.

Historicamente, as bancas eram o principal ponto de venda dos álbuns da Panini. Nos últimos anos, porém, passaram a disputar público com novos canais de venda. Ainda assim, muitos colecionadores continuam associando a experiência das figurinhas ao ambiente das bancas.

 

Magia da Copa

Após entrarem no universo do colecionismo em 2018, Pedro e o filho Manuel estão na terceira coleção juntos. O incentivo veio da paixão do garoto pelo futebol. Segundo o pai, desde janeiro o filho aguardava ansiosamente o lançamento do álbum deste ano. A rotina da dupla inclui uma visita semanal à banca para comprar novos pacotinhos, aos poucos, de propósito. Para eles, parte da experiência está justamente no ritual de ir até o local e abrir as figurinhas ali mesmo. “Tem a cultura de chegar e ver revista, jornal, caça-palavra. Os outros lugares podem até ser organizados e bonitos, mas não têm o mesmo clima”, afirma Pedro.

O sentimento também é compartilhado pelo Sr. Manuel, colecionador desde 2014 e dono de quatro álbuns completos da Copa. Ele vê na atividade uma forma de convivência com a família. “A felicidade é comprar e trocar as figurinhas para ajudar os netos”, conta. Durante o período de lançamento do álbum, ele passa horas na banca participando das trocas entre colecionadores. Em alguns dias, permanece no local das 15h às 22h.

O vendedor Jesus Bravo é venezuelano e trabalha na Banca Esportiva. Ele diz se encantar com o engajamento dos brasileiros durante a Copa do Mundo. “A paixão do brasileiro me faz querer viver a experiência junto”. Para ele, a troca de figurinhas ajuda a aproximar pessoas em um período marcado pela polarização. Segundo Bravo, “crianças, adultos, solteiros e casados” participam diariamente da brincadeira na banca.

Desafios e reinvenção

Alessandra Tsukada, proprietária da Banca do Massao, conta que o estabelecimento possui mais de 60 anos de história e passou por diferentes fases. Atualmente, ela precisou se adaptar às transformações do setor para continuar funcionando. Além de revistas e colecionáveis, hoje o espaço também vende cosméticos, presentes e outros produtos. Por outro lado, afirma que não pensa em deixar a tradição de vender HQ’s, revistas e jornais impressos.

Massao é banca mais antiga em atividade em Maringá. Foto: Mari Parma

Durante a temporada do álbum da Copa, a banca aposta em promoções e brindes especiais para atrair clientes. Segundo Alessandra, o movimento das figurinhas reúne diferentes gerações, de pais e avós movidos pela nostalgia até crianças que estão começando a colecionar pela primeira vez.

Muitas vezes, segundo ela, “os pais vão correndo ver as figurinhas e os filhos vão atrás”. Ela também ressalta que a atividade incentiva crianças e adolescentes a se desconectarem do mundo virtual “Os filhos conversam, saem das telas do computador e aprendem, porque ficam negociando as figurinhas. Aquela criança mais inibida começa a se abrir. A energia é muito positiva”, diz.