Imagens de câmeras de segurança do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), revelaram novos detalhes sobre o furto de dois pallets de placas de vídeo avaliados em R$ 2,5 milhões, pertencentes à distribuidora de tecnologia Oderço, de Maringá. A reportagem exibida pelo SBT Brasil mostrou o caminhão utilizado para retirar os equipamentos do terminal de cargas e detalhes do esquema investigado pela Polícia Civil.
Segundo os investigadores, o veículo estava com placas clonadas e havia sido previamente cadastrado para retirar a mercadoria. A suspeita é de que as etiquetas de identificação dos produtos tenham sido trocadas para permitir que a carga deixasse o aeroporto sem ser identificada durante os procedimentos de fiscalização.
O motorista do caminhão foi preso. Identificado como Nicolás Stéfano da Silva, ele teria utilizado um documento falso para retirar as placas de vídeo e, segundo a reportagem, confessado o crime. A Polícia Civil também investiga a possível participação de funcionários do próprio terminal de cargas no esquema.
O caso envolve o desaparecimento de placas de vídeo RTX 5090, da fabricante Zotac, importadas dos Estados Unidos pela Oderço. A mercadoria, cujo custo foi estimado em R$ 2,5 milhões pela empresa, desapareceu em setembro e ganhou repercussão nacional após a identificação de uma das unidades em um anúncio de venda pela internet.
Como foi o furto das placas de vídeo da empresa de Maringá?
De acordo com os detalhes apresentados pelo SBT Brasil, o caminhão utilizado na retirada da carga havia sido cadastrado previamente para realizar o procedimento no dia 11 de outubro. O veículo, porém, estava com placas clonadas.
A investigação aponta que a ação foi rápida e teria sido facilitada pela troca das etiquetas dos equipamentos. Com a alteração dos códigos de barras e das identificações da mercadoria, os envolvidos teriam conseguido retirar os produtos do terminal.
Um investigador explicou à emissora que as cargas passam por escaneamento quando deixam o aeroporto. Por isso, a suspeita é de que alguém tenha atuado na substituição das etiquetas para que os equipamentos não fossem identificados corretamente durante o processo.
As imagens de segurança permitiram aos investigadores acompanhar a movimentação do caminhão e reunir elementos para esclarecer como a mercadoria deixou o terminal.
A prisão do motorista também revelou outro possível desdobramento da investigação. Durante buscas na residência de Nicolás Stéfano da Silva, os policiais encontraram um notebook importado da China que, segundo os investigadores, pertencia a outro carregamento furtado do mesmo terminal de cargas.
O desaparecimento dos notebooks teria ocorrido aproximadamente uma semana depois do furto das placas de vídeo. Por esse motivo, o caso também passou a ser investigado em um procedimento separado.
A descoberta levantou a possibilidade de que o motorista tivesse envolvimento com outros desvios de mercadorias realizados no aeroporto. Durante as diligências, os policiais também estiveram no terminal e localizaram boa parte de uma carga de computadores que havia sido registrada como furtada.
Segundo a reportagem, um boletim de ocorrência elaborado por representantes do próprio terminal continha informações falsas sobre a situação dos equipamentos. Agora, a polícia tenta esclarecer se houve um erro no registro ou se a informação fazia parte de uma tentativa de encobrir o esquema.
Polícia suspeita da participação de funcionários do aeroporto
A investigação não está concentrada apenas no motorista preso. A Polícia Civil suspeita que outras pessoas tenham participado da retirada irregular das placas de vídeo, inclusive funcionários do terminal de cargas.
O celular do motorista foi apreendido e encaminhado para análise. Os investigadores esperam encontrar conversas, contatos e outras informações que ajudem a identificar possíveis envolvidos na operação. A suspeita é de que pessoas com acesso à estrutura interna do aeroporto tenham facilitado etapas do esquema, especialmente a troca das etiquetas e a liberação da mercadoria.
A participação de funcionários, entretanto, ainda depende de confirmação no decorrer das investigações.
Empresa de Maringá cancelou números de série das placas furtadas
Após o desaparecimento da carga, o presidente da Oderço, Oderço Matos, anunciou o cancelamento dos números de série de todas as placas de vídeo furtadas. Em vídeo publicado nas redes sociais em 22 de outubro, o empresário explicou que a medida fez com que os equipamentos perdessem a garantia no Brasil e no exterior.
“Uma informação importante sobre essas placas que sumiram. O número de série de todas elas foram canceladas. Isso quer dizer que elas perderam a garantia aqui no Brasil e no mundo todo”, afirmou.
Matos também informou que o caso estava sob responsabilidade das autoridades e da seguradora. Durante o pronunciamento, ele apresentou uma cronologia do desaparecimento e questionou a demora para que a empresa fosse oficialmente comunicada sobre o ocorrido.
Segundo o empresário, a carga chegou ao Brasil em 20 de setembro de 2026 e teria sido furtada no dia seguinte. O registro policial foi feito pelo aeroporto em 24 de setembro, mas a distribuidora só recebeu a comunicação formal de que os equipamentos não haviam sido localizados em 14 de outubro.
A empresa também recebeu informações sobre o boletim de ocorrência e o suposto furto em 20 de outubro.
Uma das placas foi anunciada por R$ 32 mil na internet
Outro detalhe que ampliou a repercussão do caso foi a identificação de uma das placas de vídeo desaparecidas em uma plataforma de compra e venda pela internet.
A unidade foi anunciada por R$ 32 mil. Segundo reportagem do Jornal da Band, o número de série do equipamento correspondia ao de uma das placas importadas pela distribuidora de Maringá.
A identificação ajudou a levantar informações sobre o possível destino de parte da mercadoria. O caso também resultou na prisão de um suspeito por receptação, conforme informações divulgadas anteriormente pela imprensa.
Até então, a localização dos dois pallets completos não havia sido esclarecida publicamente.
O que diz o aeroporto de Guarulhos?
Em resposta enviada anteriormente ao GMC Online, a GRU Airport, concessionária responsável pela administração do Aeroporto Internacional de Guarulhos, informou que a não localização da carga foi formalmente comunicada às autoridades competentes para auxiliar nas investigações.
A concessionária também afirmou que mantinha contato com o representante da importadora e que, em 14 de outubro, forneceu as orientações necessárias para iniciar o processo de indenização.
Segundo a empresa, o andamento do procedimento dependia da apresentação da documentação solicitada à distribuidora. A concessionária acrescentou que seu departamento jurídico prestaria o suporte necessário para encaminhar o caso.
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