A professora Gisele Mendes de Carvalho e o vice-reitor, Geovanio Edervaldo Rossato, tomam posse na Universidade Estadual de Maringá (UEM). A solenidade será às 18h, no Teatro Calil Haddad, e inaugura o quadriênio 2026-2030. Eleita em segundo turno, em 31 de agosto, Gisele vai liderar uma comunidade de cerca de 25 mil pessoas, entre estudantes, professores e agentes universitários, e gerir um orçamento anual na casa de R$1 bilhão. Vice-reitora na gestão de Leandro Vanalli, ela será a segunda mulher a ocupar a Reitoria em 56 anos de história da Universidade. A primeira foi Neusa Altoé (1998-2002), que também foi a primeira reitora de uma instituição no Paraná.
Prata da casa, Gisele ingressou na UEM há 30 anos como aluna de Direito. Segundo ela, a vivência na graduação e nos cargos de gestão credencia a nova equipe a conduzir uma transição tranquila, com reuniões de trabalho marcadas para o primeiro dia útil após a posse, 13 de outubro. A proposta central é unir os diferentes setores da comunidade acadêmica em torno da permanência estudantil, da defesa da autonomia universitária, da melhoria da infraestrutura e do fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão em todos os campus e polos de Educação a Distância (EaD).
Estrutura e convivência no campus
Em entrevista ao Maringá Post, Gisele adiantou que entre as ações imediatas, estão a manutenção preventiva e a revitalização dos espaços de convivência do campus-sede . Ela atribui a percepção de abandono relatada por parte da comunidade ao déficit contínuo de agentes de manutenção, já que várias funções operacionais foram extintas por legislação estadual ao longo dos anos. A gestão vai investir em reparos do dia a dia, cuidado com as áreas verdes e reforço da iluminação das vias internas, medida considerada fundamental para a segurança e a circulação de estudantes à noite.
Na logística de compras e serviços, a reitora destacou que o Decreto Estadual 14.715, que regulamenta compras diretas e atas de registro de preços, dará mais agilidade para executar recursos já disponíveis. Ela também pretende aproximar a UEM da população de Maringá e região, “atravessando” simbolicamente a Avenida Colombo, com mais eventos culturais e de integração comunitária.
Assistência estudantil e nova Pró-Reitoria
A permanência dos estudantes até a conclusão do curso será uma das principais bandeiras. Embora o último vestibular tenha registrado crescimento de 20% na procura por vagas, a evasão segue como desafio. Para enfrentá-lo, Gisele confirmou a intenção de criar uma Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, alinhando a UEM às demais universidades estaduais paranaenses.
No Restaurante Universitário, que recentemente ampliou o atendimento para café da manhã, almoço e jantar, ao custo de R$ 3,90 por refeição para os alunos, a reitoria vai articular com o Governo do Estado a isenção total da taxa. A ideia é transformar o subsídio em política estadual de permanência, liberando recursos do orçamento da Universidade para outras melhorias.
Hospital Universitário
Única unidade hospitalar de grande porte 100% SUS de Maringá e referência para mais de 2 milhões de pessoas na macrorregião Noroeste, o Hospital Universitário (HU) enfrenta déficit de servidores efetivos: menos da metade do quadro é composta por concursados, e o restante depende de credenciamentos de prestadores de serviço com CNPJ.
A autorização de concursos públicos, para o HU, os departamentos e os setores administrativos, será a principal pauta de diálogo com o próximo governo estadual. Nos últimos anos, a UEM perdeu mais de 800 servidores sem reposição e recorre a contratos temporários por Processo Seletivo Simplificado (PSS), o que dificulta a retenção de pessoal. A gestão também defenderá a valorização da carreira dos agentes universitários, com adicionais de titulação para técnicos operacionais.
Relação com o Governo do Estado
Diante da transição política que também se aproxima no Estado, Gisele demonstrou otimismo e se disse aberta ao diálogo com todas as correntes políticas. Ela lembrou que o Paraná conta com sete universidades estaduais públicas, e que somente a UEM diplomou 90 mil profissionais. A reitora reafirmou que levará as demandas da Universidade de forma propositiva a qualquer governante, buscando investimentos contínuos em ciência, tecnologia e extensão no interior do Paraná.
Quem são os eleitos
Graduada em Direito pela UEM, com láurea acadêmica, em 2000, Gisele é mestra pela instituição e doutora e pós-doutora em Direito Penal pela Universidade de Saragoza (Espanha). Professora associada do Departamento de Direito Público (DDP) e docente do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, foi chefe do DDP, diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSA) e participou da criação do protocolo Contrabuso, de acolhimento a vítimas de violência sexual.
Geovanio Rossato, professor associado do Departamento de Ciências Sociais (DCS), tem formação em Filosofia e Direito, doutorado em Antropologia Cultural e pós-doutorado pela Universidade de Barcelona. Foi diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), procurador-geral da Universidade e coordenador do Cursinho da UEM.
Programação de transição
A posse da Reitoria encerra uma série de cerimônias de renovação de cargos e representações. Na próxima semana, em 13 de outubro, às 9h30, no Auditório do Bloco B-33, tomam posse os integrantes do primeiro e do segundo escalões administrativos.


