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Curso de segurança digital para pessoas com mais de 60 anos em Maringá

Tempo de leitura: 4 min

Fazer um pagamento ou consultar um benefício pelo celular é uma comodidade que vem facilitando a rotina da população acima de 60 anos. Porém, são justamente os idosos as vítimas em potencial dos mais variados golpes cibernéticos, o que exige atenção redobrada contra fraudes e estelionatários.

Neste sábado, um grupo de especialistas de diferentes áreas participa do evento Conexão 60+. A programação conta com oficinas gratuitas sobre o uso seguro do Pix, proteção de dispositivos móveis, identificação de sinais de golpes ou links falsos e navegação no aplicativo Gov.br.

O Maringá Post adiantou algumas dúvidas com os palestrantes, com foco na segurança digital da população 60+. Confira:

Maringá Post – O Pix revolucionou a forma de movimentar dinheiro, mas o medo de errar ou cair em um golpe ainda afasta muitos idosos. Qual é o sinal de alerta mais claro que a pessoa com mais de 60 anos deve observar antes de confirmar qualquer transferência?

José Pedro Comini Barros – Economista  – A divergência na tela final de confirmação. Antes de digitar a senha, é obrigatório conferir três informações: o nome completo da pessoa ou empresa recebedora, o banco de destino e o valor exato da transação. Se qualquer um desses três dados for diferente do esperado, a operação deve ser cancelada imediatamente.

MP – E se o pior acontecer: caso a pessoa perceba que caiu em um golpe financeiro ou fez uma transferência por engano, quais devem ser os três primeiros passos imediatos para tentar bloquear o valor ou reaver o dinheiro?

Os três passos são:

Acione o seu banco: Ligue rapidamente para solicitar o bloqueio do valor via MED (Mecanismo Especial de Devolução);

Faça um B.O.: Registre o Boletim de Ocorrência (pode ser feito online) para formalizar a fraude e enviar à instituição financeira;

Guarde provas: Tire prints das conversas, números e perfis envolvidos, mantendo todo o histórico salvo.

 

MP – Muitos idosos têm receio de mexer nas configurações do celular por medo de “travar” ou desconfigurar o aparelho. Quais são os ajustes básicos e essenciais de segurança que todos deveriam manter ativados no telefone?

Adelino Soldivar – Especialista em GRC e LGPD – Eu evitaria transformar o celular do idoso em uma fortaleza impossível de usar. Segurança também precisa ser algo simples. Os ajustes fundamentais são:

Bloqueio de tela por senha ou PIN, preferencialmente acompanhado de biometria digital ou reconhecimento facial;

Bloqueio automático da tela após curto período sem utilização;

Atualizações automáticas do sistema operacional e dos aplicativos;

Verificação em duas etapas ativa no WhatsApp, e-mail e, principalmente, na conta Gov.br;

Instalação de aplicativos exclusivamente pelas lojas oficiais (Google Play Store ou App Store);

Ativação dos recursos de localização e bloqueio remoto do aparelho;

Cadastro prévio do dispositivo no programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça, que permite comunicar perda, roubo ou furto e acionar o bloqueio da linha, do aparelho e de serviços financeiros parceiros.

E acrescento algo extremamente importante: a senha do celular não deve ser a data de nascimento, sequências como “123456”, números repetidos ou anotações guardadas junto ao aparelho.

MP – Receber mensagens via WhatsApp ou SMS de golpistas se passando por bancos, lojas ou familiares pedindo dinheiro virou algo diário. Qual é a “regra de ouro” para identificar se um link é seguro antes de clicar?

Anderson Gemelgo – Especialista em Cibersegurança – A regra de ouro é: nunca clique em um link recebido por WhatsApp ou SMS que você não esteja aguardando. Por mais que o remetente pareça familiar, a origem simule o seu banco, a loja seja conhecida ou a mensagem pareça vir de um parente, os criminosos conseguem clonar e simular essas identidades com precisão.

Caso receba uma mensagem suspeita, antes de clicar, confirme a veracidade por outro canal. Se for uma instituição financeira ou loja, entre em contato pelo aplicativo oficial ou pelo telefone cadastrado no site oficial da empresa. Se for uma pessoa conhecida, faça uma ligação para o número antigo que você já possui salvo na agenda.

Nunca utilize o telefone ou contato fornecido na própria mensagem suspeita, pois ele pode levar a uma falsa central telefônica operada por criminosos.

Se você não esperava aquela mensagem, não tenha pressa. Feche o aplicativo, procure a empresa ou familiar por um canal confiável e confirme os fatos. Não basta olhar para um link e tentar adivinhar se ele “parece verdadeiro”, pois as páginas falsas reproduzem logotipos e linguagem idênticos aos originais. A melhor proteção é criar o hábito de não confiar por impulso. Na dúvida, confirme primeiro.

MP – Qual é o principal mito sobre tecnologia que deixa a população 60+ mais vulnerável ou com receio de usar o celular?

O maior mito é a ideia de que “eu não entendo de tecnologia, então não tenho como me proteger”. Isso faz com que alguns tenham medo excessivo, enquanto outros confiam cegamente em mensagens bem elaboradas.

Para se proteger da maioria dos golpes, não é necessário ser técnico. O essencial é adotar bons hábitos: desconfiar de abordagens inesperadas, não agir sob emoção, jamais compartilhar senhas ou códigos de verificação e checar as informações em fontes oficiais.

Outro mito comum é o de que “golpe só acontece com quem é desatento”. Os criminosos aplicam engenharia social avançada, explorando gatilhos como medo, ansiedade e urgência. A mensagem para o público 60+ é: use a tecnologia com calma e desconfiança saudável. Você não precisa dominar a parte técnica por trás da tela para saber quando uma situação exige verificação.

Serviço – Conexão 60+ – Segurança digital na prática para pessoas 60+ – Oficinas – 

Sábado – (29)  – 8h às 12h – Abertura 7h30 Unicive – Centro Universitário Cidade Verde – Maringá

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