A mulher que morava com Clayton Antonio da Silva Cruz, conhecido pelos apelidos de “Dog Dog” e “Sagaz”, prestou depoimento à Polícia Civil após a operação que terminou com a morte do suspeito, na manhã desta sexta-feira, 21, em Mandaguari, na região de Maringá.
Sem ter o nome divulgado, ela afirmou ao delegado que conhecia Clayton havia muitos anos e que os dois sempre foram amigos. Segundo o relato, ele estava na casa havia cerca de uma semana. Durante o depoimento, a mulher afirmou ainda que nunca havia visto uma arma dentro da residência. Ela também disse que, segundo o que sabia, a intenção de Clayton era se entregar às autoridades.
A mulher estava no imóvel quando os policiais chegaram para localizar Clayton. Durante a ação, porém, ele fugiu pelos fundos da propriedade, entrou em uma casa vizinha e fez um morador refém. Na sequência, acabou morto a tiros durante a abordagem policial.
Defesa afirma que mulher não sabia sobre objetos encontrados
A defesa da mulher afirmou que os fatos ainda estão sendo apurados e negou que ela tivesse conhecimento sobre os objetos encontrados durante a diligência. Em nota, os advogados sustentaram que a presença dela no imóvel não significa que tivesse posse ou domínio sobre os objetos localizados no local.
“Embora estivesse presente no imóvel no momento da diligência, Jessica afirma que não tinha conhecimento acerca dos objetos encontrados no local, tampouco exercia posse ou domínio sobre eles.”
A defesa também ressaltou que a presença no imóvel, por si só, não permite atribuir responsabilidade por objetos que pertençam ou estejam relacionados a terceiros.
“A mera presença no imóvel não permite atribuir automaticamente responsabilidade por objetos pertencentes ou relacionados a terceiros.”
Os advogados afirmaram ainda que a mulher exercerá plenamente o direito de defesa, com observância da presunção de inocência e do devido processo legal.
Quem era “Dog Dog”
Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, era considerado foragido desde 29 de abril e era procurado pela Polícia Civil. Ele é apontado como principal suspeito de envolvimento no desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos.
As jovens foram vistas pela última vez na madrugada de 21 de abril, em uma boate de Paranavaí. Clayton estava com as duas no último registro conhecido. No mesmo dia, Letycia e Sttela deixaram de manter contato com as famílias.
Atualmente, a principal linha de investigação da Polícia Civil é a de que as jovens tenham sido vítimas de um duplo homicídio. Clayton também era procurado por um mandado de prisão relacionado a um roubo cometido em 2023, em Apucarana.
Segundo informações repassadas pela Polícia Civil ao GMC Online, os investigadores receberam informações sobre o paradeiro de Clayton cerca de uma semana antes da operação. O endereço passou a ser monitorado após o suspeito ser relacionado a um roubo ocorrido em 7 de agosto, em São João do Ivaí.
Na manhã de sexta-feira, quando os policiais chegaram ao local, Clayton tentou fugir pelos fundos do imóvel. Durante a fuga, entrou em uma residência e fez um morador refém. O homem contou ao GMC Online que Clayton entrou na casa, foi até a pia e pegou um garfo, com o qual teria ameaçado atacá-lo.
De acordo com a Polícia Civil, Clayton também utilizava o nome falso de “Davi” quando se apresentava a algumas pessoas em Cianorte. Ele era conhecido ainda pelos apelidos de “Sagaz” e “Dog Dog” e frequentava festas e baladas.
Segundo suspeito é preso
Além da morte de Clayton, a operação resultou na prisão de um segundo homem suspeito de participação no desaparecimento das primas. Ele foi preso em Umuarama, também na manhã desta sexta-feira.
Até a última atualização desta reportagem, a Polícia Civil não havia divulgado detalhes sobre a identidade do segundo suspeito nem sobre qual teria sido a participação dele no caso.
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