A paixão veio da época do sítio, junto aos tios. Depois veio o amor pela vida selvagem, via National Geographic e da BBC. Quando já começava a trabalhar como médico, Marcos Franchetti comprou a primeira câmera compacta. Em 2014, fez seu primeiro safári na Tanzânia. A beleza de suas viagens de estão luxuosamente na exposição virtual de sua página na internet.
Nessa entrevista ao Maringá Post, Franchetti nos convida para um safari, uma viagem onde o impacto visual impressiona. É cirúrgico.
Maringá Post – Como a paciência e a contemplação exigidas na fotografia de natureza atuam como contraponto e ferramenta de equilíbrio mental na sua rotina médica? Como tudo começou?
Marcos Franchetti – A cardiologia intervencionista é a especialidade na qual trabalho diariamente com imagens. Ela exige muita concentração pela complexidade dos casos, e há sempre o risco de complicações iminentes — não há espaço para erro.
Por isso, uma pausa é bem-vinda para relaxar e diminuir o nível de estresse. E é aí que entra a fotografia. Continuo mergulhado na imagem, ainda preciso de concentração, mas o risco é baixo, e me permito errar — só que não muito, hahaha! O momento de contemplação da natureza me traz uma paz mental enorme e me permite recarregar as baterias para seguir firme no meu trabalho.
MP – O senhor tem uma forte ligação com a África — com cinco viagens realizadas e um retorno à Tanzânia programado para janeiro —, esteve recentemente no Pantanal e já tem uma viagem marcada para a Islândia em outubro. Como essa diversidade de biomas e climas tão extremos te desafiam ?
Nasci e passei minha infância e adolescência no sítio. Foi ali que nasceu minha paixão pela natureza e a necessidade de nunca me afastar dela. Assim como na medicina — onde prefiro os casos mais desafiadores —, na fotografia não é diferente: quanto mais difícil o desafio e mais exótico o lugar, maior a atração que sinto. Fugir da rotina, escapar do comum, chegar perto dos animais… é basicamente isso que busco em cada viagem.
MP – Embora a fauna seja um grande foco de suas expedições, o senhor ressalta que seu trabalho vai muito além dos safáris, abrigando também a imensidão das paisagens. Qual é a principal diferença na sua abordagem artística e técnica ao capturar a vastidão de um cenário natural em comparação com a imprevisibilidade de um animal selvagem?
Na fotografia de paisagem, estudo muito bem o lugar antes mesmo de chegar. Quando possível, visito os locais previamente, mesmo em horários de luz ruim, só para planejar a composição com antecedência e depois voltar no momento de luz perfeita. Sou apaixonado por nascer e pôr do sol, mas confesso: o nascer do sol me encanta mais.
Já nos safáris, escolher um bom guia é o segredo — é meio caminho andado. Mas conhecer o comportamento dos animais é essencial para capturar os melhores momentos. Ter os equipamentos prontos — câmeras, lentes e configurações ajustadas — também é fundamental. Depois é ficar à espreita, em estado de prontidão total. Quando o momento surge… buuuummmmm! Uma verdadeira metralhadora de cliques é disparada na tentativa de capturar aquela foto única. Mas há também momentos mais tranquilos, quando o animal está relaxado, dormindo ou com os filhotes — e aí a missão é buscar o melhor ângulo, os momentos de carinhos, os ajustes ideais, em busca daquela foto que merece ir para a parede.
MP – De que forma as habilidades desenvolvidas na sua profissão médica dialogam com o instinto de capturar a imagem perfeita?
Posso até dizer que meu olhar de fotógrafo me ajuda a captar melhores imagens durante as intervenções. O perfeccionismo da medicina se transporta naturalmente para a fotografia e me permite alcançar os melhores resultados. Assim como estudo e analiso profundamente cada caso antes de um procedimento, faço o mesmo antes de cada sessão fotográfica — e isso é essencial. A paciência e a capacidade de decisão rápida que desenvolvi na medicina se encaixam perfeitamente quando estou em busca do melhor instante da ação de um animal selvagem.
MP – Como foi seu aprendizado na fotografia?
Desde a infância, eu observava meus tios Hilário e Sérgio fotografando, e isso já me encantava. Depois veio a paixão pela vida selvagem, alimentada pelos documentários da National Geographic e da BBC. Quando comprei a primeira câmera compacta, me apaixonei de vez. Logo surgiram as primeiras câmeras de entrada e algumas lentes, já quando eu começava a trabalhar como médico. O sonho de fotografar animais selvagens finalmente se realizou em 2014, no meu primeiro safári na Tanzânia. Aprendi lendo livros e revistas especializadas, como a Outdoor Photographer e a National Geographic — mas tenho uma certeza- ainda preciso estudar muito fotografia!
MP – E que pensa em fazer no futuro?
Pretendo fotografar ainda mais quando me aposentar da medicina. Até lá, como ainda pratico melhor medicina do que fotografia, continuo fazendo o que amo como profissão e cuidando da melhor forma possível dos meus pacientes.
Um sonho: Criar uma ONG para ajudar pessoas carentes, seja no Brasil, na África ou em algum local que demandem de ajuda. Em meio a isto, fotografar e, através da fotografia, arrecadar mais fundos para os projetos.
Serviço: Para quem quiser conhecer mais: www.marcos franchetti.com


