A geração atual é a que menos consome bebida alcoólica em todo o mundo desde a década de 1960. O dado é de uma pesquisa feita pela consultoria MindMiners, que mostra que apenas 45% dos jovens da chamada ‘Geração Z’, os nascidos a partir de 1997, faz o uso regular de álcool. E essa mudança no perfil do consumidor já é percebida por empresários do setor de bares e restaurantes.
Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que quase 60% dos proprietários desse tipo de estabelecimento tiveram um faturamento menor nos quatro primeiros meses de 2026, no comparativo com o mesmo período do ano passado. No Paraná, em alguns casos, a queda no faturamento chegou a ser de 40% enquanto que, em Maringá, apenas 30% dos bares fecharam o primeiro quadrimestre deste ano no azul.
Para lidar com uma geração que tende a consumir menos álcool, o jeito é se adaptar. Foi assim que, na Cidade Canção, alguns bares resolveram investir em cartas de drinks não alcoólicos. O Jabô, na Avenida Humaitá, foi um dos pioneiros nesse quesito.
O empresário Paulo Cremonini, que comanda o empreendimento, fez um primeiro experiemento há cinco anos. Com o passar do tempo, foi expandindo o cardápio que, hoje é um sucesso, tendo mais de 12 opções. “A gente acompanha as pesquisas no dia a dia e tenta entender essa mudança de perfil, que é real. Nossa aposta nas bebidas não alcóolicas foi um meio de trazer para o bar aquela pessoa que gosta do ambiente, gosta de sair, mas mantém a opção de não beber. Por aqui, faz muito sucesso, tanto é que seguimos até hoje”, disse.
Cliente do Jabô, a Giovana é uma das jovens que foi atraída ao lugar por conta das opções não alcoólicas. “Acho muito legal você ter a opção de ir em um bar para conversar, se divertir, e não precisar ser ‘obrigado’ a beber álcool, por conta do espaço nos oferecer outras opções”, relata.
O presidente da Abrasel em Maringá, Rafael Cecato, destaca que a queda no consumo de álcool é uma realidade observada em todo o mundo.
“A gente percebe o movimento também nos bares e restaurantes buscando essa adequação a esse novo padrão, justamente por meio da oferta de coquetéis não alcoólicos, uma ampliação do cardápio de coquetéis e bebidas não alcoólicas para absorver essa demanda crescente. E só a título de ilustração, hoje, o consumo de cerveja sem álcool é sete vezes maior do que aquele registrado em 2019. Então percebe que realmente é uma tendência e isso exige a adaptação dos estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar”, finalizou.


