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LÉO JUNIOR NOTÍCIASBlogCIDADECaso dos cobradores de Icaraíma: Advogado da família Buscariollo afirma pai e filho devem responder pelos crimes com as garantias da constituição

Caso dos cobradores de Icaraíma: Advogado da família Buscariollo afirma pai e filho devem responder pelos crimes com as garantias da constituição


Tempo de leitura: 4 min

Prestes a completar um ano, o caso dos cobradores assassinados em Icaraíma, no noroeste do Paraná, segue sem conclusões. Apesar do avanço das investigações por parte da Polícia Civil, de prisões feitas e provas coletadas, não há, ainda, finalização do inquérito que apura o crime.

O advogado Renan Farah, responsável pela defesa de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo, tidos como os principais nomes da chacina que vitimou Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, afirmou que seus clientes, quando localizados, deverão responder sobre os crimes com as garantias que a constituição federal prevê, dentro do processo legal.

“Antônio e Paulo devem ser localizados e apresentados à Justiça e quando isso acontecer devem responder com todas as garantias que a Constituição assegura a qualquer acusado, conhecimento integral da acusação, contraditório, ampla defesa e julgamento baseado em provas, não em manchetes”, disse o advogado.

Completado um ano do caso, a defesa reitera que não busca protelar o processo, mas exige igualdade de condições para analisar os elementos reunidos.

“O que a defesa espera depois de um ano é simples. Acesso aos elementos já produzidos, investigação completa e um processo em que a defesa não seja tratada como um obstáculo. Nós não queremos impedir a investigação, queremos que ela chegue ao fim, mas que chegue até o fim olhando para todos os envolvidos, todas as possibilidades e todas as provas e não apenas confirmando uma hipótese escolhida no início.”

Farah afirma que mesmo sendo advogado da família Buscariollo, não sabe onde pai e filho possam estar e, nesse período de um ano não teve contato com os clientes.

“Já passou aproximadamente um ano desde o início deste caso e Antônio Buscariolo e Paulo Ricardo continuam sem ser localizados. Evidentemente essa é a primeira pergunta que todos fazem, onde eles estão? E a resposta responsável da defesa continua sendo a mesma, eu não sei onde eles estão e nunca mantive contato com eles durante esse período. Para a família esse foi um ano extremamente pesado.”

Sobre a fuga de pai e filho, antes residentes em Icaraíma e agora com paradeiro inconclusivo, o advogado dos Buscariollo afirma que a situação é grave e que dificulta os trabalhos da defesa.

“O fato de eles estarem foragidos é grave e evidentemente dificulta a defesa. A fuga gera suspeita, gera uma imagem muito negativa e permite que a opinião pública faça uma associação automática entre desaparecimento e culpa. Mas juridicamente fuga não é confissão. Uma pessoa pode fugir por culpa, por medo, por ameaça ou por acreditar que não será ouvida com imparcialidade. Apenas a prova pode dizer qual dessas hipóteses corresponde à realidade.”

Recentemente, cerca de onze meses após o crime que chocou o país, Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo foram inseridos na lista da Interpol. A informação foi confirmada pela própria Polícia Civil em julho deste ano.

O advogado afirma que a inclusão de pai e filho nessa lista não prova que ambos tenham deixado o país.

“A inclusão na lista da Interpol ampliou internacionalmente as buscas, mas não representa a condenação tão pouco prova que eles tenham deixado o Brasil. É uma medida de localização e prisão decorrente de uma ordem judicial ainda sujeita ao controle da defesa. A difusão vermelha serve para localizar pessoas procuradas, não para declarar culpa. A defesa continua sustentando que existem pontos importantes ainda não esclarecidos.”

Em agosto de 2025, quatro homens identificados como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, foram mortos em uma emboscada, motivada pela cobrança de uma dívida de cerca de R$ 250 mil relacionada a uma negociação imobiliária rural. Robishley, Rafael  e Diego haviam saído de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar o valor na cidade paranaense, onde se reuniram com o quarto integrante, Alencar, que atuava como mediador.

O paradeiro do grupo permaneceu desconhecido por cerca de um mês, até que em setembro de 2025 as forças de segurança localizaram o veículo do grupo enterrado em uma área rural no distrito de Vila Rica do Ivaí, em uma espécie de um “bunker”. Dias depois, os quatro corpos foram descobertos em uma vala clandestina, apresentando perfurações por disparos de arma de fogo e sinais de tortura. Os principais suspeitos do crime, apontados pela polícia como executores da emboscada, são os empresários Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Buscariollo. Ambos permanecem foragidos e tiveram seus nomes inseridos na lista da Difusão Vermelha da Interpol em julho de 2026.

A tese inicial das autoridades sobre a dinâmica do assassinato passou a ser questionada em junho de 2026, quando a assistência de acusação, conduzida pela advogada Josiane Monteiro Bichet, representando as famílias das vítimas, anexou ao processo novos registros fotográficos do exame pericial. O acervo inclui indícios de lesões de defesa nas vítimas e marcas de mutilação, elementos que contrapõem a versão policial prévia de que os quatro teriam sofrido morte instantânea no momento da abordagem.

Paralelamente às buscas pelos Buscariollo, a investigação contou com a abertura de um procedimento pela Corregedoria da Polícia Civil do Paraná. A investigação apura o suposto envolvimento de dois policiais civis lotados em Icaraíma, suspeitos de vazar informações sigilosas sobre o andamento das diligências para favorecer e facilitar a fuga de pai e filho antes do cumprimento dos mandados de prisão.



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