Um suboficial da reserva da Marinha foi flagrado por câmeras de segurança agredindo com socos e tapas o próprio filho, que é cadeirante, dentro de um condomínio no bairro do Bessa, em João Pessoa (PB), na madrugada de quarta-feira (29). As imagens circularam nas redes sociais e levaram o agressor a se apresentar espontaneemente à Polícia Civil para prestar depoimento.
A vítima, de 25 anos, morava em Parnaíba (PI) até sofrer um acidente de motocicleta em março deste ano, que provocou uma lesão na vértebra e o deixou dependente de cadeira de rodas. Ele foi levado para João Pessoa para viver com o pai.
Segundo a Polícia Civil, o jovem pediu para voltar para casa durante um passeio por causa da bolsa coletora de urina, mas não foi atendido. Ao chegar ao condomínio, o pai percebeu urina no banco do carro e iniciou as agressões. O vídeo mostra o momento em que ele desfere socos contra o filho.
O condomínio já havia denunciado o suboficial à Marinha antes da divulgação das imagens. Moradores reuniram um dossiê com documentos e registros de comportamento, apontando “comportamento inadequado, com risco à segurança coletiva (porte de arma de fogo)”. O documento cita um laudo de um processo público que indica “transtorno de ansiedade generalizada em nível grave, sentimento de perseguição e dificuldade no ajustamento e reação a estressores”. Há também relatos de que ele foi visto chegando de madrugada com sinais de ingestão de álcool e portando um volume na cintura semelhante a uma arma de fogo.
Em 6 de junho, o militar teria passado por um episódio de aparente surto psicológico, o que motivou o acionamento da Polícia Militar (PM) no condomínio. A Capitania dos Portos da Paraíba recebeu a denúncia e informou que deve se manifestar em até cinco dias úteis.
A mãe do jovem, que mora em Parnaíba, afirmou que não se surpreendeu com as imagens. “Eu vi o vídeo e não me surpreende, porque eu avisei. Ele [ex-companheiro] não percebeu nem uma câmera que estava ali e emendou a bolachada no meu filho”, declarou. Ela também afirmou ter sido agredida por anos pelo ex-companheiro.
O suboficial se apresentou à Central de Polícia Civil no bairro do Geisel na tarde de quinta-feira (30). Por orientação jurídica, não concederá entrevistas e afirmou estar “abalado com toda a repercussão dos fatos”. A Polícia Civil informou que foi registrado boletim de ocorrência e determinada a instauração de investigação para apurar as agressões.


