A Polícia Civil apreendeu, nesta quinta-feira, 30, o segundo envolvido na execução de Ronaldo Rodrigues de Amaral, de 38 anos, conhecido como “Nardinho”, assassinado a tiros na manhã do mesmo dia em Mandaguari, no norte do Paraná. O adolescente apreendido tem 16 anos e, segundo o delegado responsável pelo caso, Zoroastro Nery do Prado Filho, confessou ter pilotado a motocicleta utilizada na fuga após o homicídio.
O primeiro suspeito, um homem de 21 anos, já havia sido preso pela Polícia Civil em Maringá. Durante o interrogatório, ele confessou ter efetuado os disparos contra Ronaldo e afirmou que receberia R$ 10 mil pela execução.
A investigação ganhou novos elementos após a apreensão do adolescente, que também teria confirmado sua participação. Segundo o delegado, o menor contou que foi até Mandaguari conduzindo a motocicleta para levar o rapaz de 21 anos a um suposto encontro com uma mulher. O adolescente afirmou que só teria tomado conhecimento da verdadeira finalidade da viagem no momento da execução.
‘Vou usar no homicídio’, teria dito suspeito ao roubar moto
Um dos principais elementos revelados pela Polícia Civil está relacionado à motocicleta usada no crime. Conforme o delegado Zoroastro Nery, o veículo havia sido roubado no dia anterior, em Marialva, pelo homem apontado como autor dos disparos.
Ainda de acordo com o delegado, durante o roubo, o suspeito teria informado à proprietária que pegaria a motocicleta porque iria utilizá-la em um homicídio. A informação reforça, segundo a Polícia Civil, a suspeita de que o assassinato tenha sido planejado previamente.
“Foi premeditado”, afirmou o delegado durante entrevista sobre o andamento das investigações.
A motocicleta foi posteriormente localizada em Maringá e encaminhada para perícia. A Polícia Científica recolheu impressões digitais e outros vestígios que poderão contribuir para a confirmação da participação dos investigados no crime.
Autor confessa execução e diz que receberia R$ 10 mil
Durante o interrogatório, o homem de 21 anos admitiu ter efetuado os disparos contra Ronaldo. Segundo as informações repassadas pela Polícia Civil, ele declarou que havia sido contratado para cometer o assassinato e receberia R$ 10 mil pelo serviço. O suspeito também revelou que utilizou um revólver calibre .22 para executar a vítima, mas não informou aos investigadores onde escondeu a arma.
A Polícia Civil apreendeu ainda dois telefones celulares que serão encaminhados para perícia. Um dos aparelhos, pertencente ao autor confesso, foi danificado durante a abordagem policial. Conforme o delegado, o suspeito teria arremessado o telefone contra uma parede quando percebeu que seria preso.
O objetivo é verificar se os aparelhos podem fornecer informações sobre a preparação do crime, possíveis contatos e a existência de outros envolvidos.
Motivação pode estar ligada a agressão contra mulher
A motivação do homicídio ainda não foi totalmente esclarecida, mas a Polícia Civil trabalha com a hipótese de vingança.
Segundo o relato do autor confesso, Ronaldo teria agredido anteriormente uma mulher, episódio que poderia estar relacionado à ordem para a execução. O delegado confirmou que existe um termo circunstanciado envolvendo Ronaldo e que uma audiência no Juizado Especial estava marcada para esta sexta-feira, 31. Apesar da coincidência, a Polícia Civil ainda não confirma que esse episódio tenha sido a causa do assassinato.
“É muito cedo, nós temos ainda que aprofundar nas investigações”, explicou o delegado ao ser questionado sobre a possibilidade de o crime ter sido encomendado. A apuração, portanto, segue para determinar quem teria ordenado a morte de Ronaldo e se outras pessoas participaram do planejamento ou da execução.
Suspeito diz que se arrependeu apenas por causa da criança
Outro detalhe revelado durante o interrogatório chamou a atenção dos investigadores. O homem de 21 anos teria afirmado que seu único arrependimento foi ter cometido o crime na presença do filho de Ronaldo.
Segundo o depoimento, ele teria dito que também é pai e que lamentava que a criança tivesse presenciado a execução. O menino estava com o pai no momento do ataque. Ronaldo saía de casa para levá-lo à escola quando os dois foram surpreendidos pelos criminosos.
Ronaldo foi morto na frente do filho
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Ronaldo e o filho foram abordados pelos dois homens. Segundo a investigação, os criminosos chegaram em uma motocicleta e ordenaram que a criança descesse do veículo. Na sequência, Ronaldo tentou fugir correndo por aproximadamente 10 metros, mas foi alcançado e atingido por diversos disparos.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), incluindo o Grupo de Operações Aéreas (GOA), foram acionadas e realizaram manobras de reanimação, mas Ronaldo não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.
Polícia ainda procura esclarecer participação de outras pessoas
O homem de 21 anos foi preso em flagrante e o adolescente foi apreendido em flagrante. Ambos permanecem à disposição da Justiça. Segundo o delegado Zoroastro Nery do Prado Filho, a investigação ainda não está encerrada e outras pessoas podem ser identificadas ao longo das diligências.
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