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Além da montanha: líderes revelam os bastidores e o propósito do movimento Legendários

Além da montanha: líderes revelam os bastidores e o propósito do movimento Legendários

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O coordenador regional do Legendários, Weslley Silva, e o diretor executivo do movimento em Maringá, Marco Massolin, foram os entrevistados do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, publicado neste domingo (5). Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, eles detalharam a filosofia, as polêmicas e os impactos sociais do grupo que nasceu na Guatemala e hoje expande sua presença no Norte e Noroeste do Paraná.

Ao longo do episódio, os líderes descreveram a experiência na montanha como uma ferramenta de “choque” para o homem contemporâneo. Eles discutiram a omissão masculina, a importância do aval das esposas e os projetos de serviço à comunidade de Maringá.

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“O homem precisa aprender e viver um pouco dessa experiência”, resume Weslley Silva ao definir a busca por disciplina e propósito.

Um movimento de espiritualidade e disciplina

Logo no início da entrevista, os convidados esclareceram a natureza do Legendários. O movimento mistura elementos de disciplina militar, superação física e espiritualidade cristã. Weslley destacou que, embora usem uniformes e numeração, o foco não é o militarismo bélico.

O objetivo é trabalhar a obediência, a submissão e o respeito. Segundo Weslley, o homem moderno precisa de ordem. “Ele tem princípios que trazem essa percepção, muito mais por uma questão de trabalhar o foco no homem”, explica. O movimento também incentiva a saúde física. Através do programa “Superação”, participantes já perderam, somados, mais de uma tonelada de peso em atividades monitoradas.

O segredo das 72 horas na montanha

O ponto central do movimento é o “Top”, uma jornada de três dias em ambiente hostil. Marco Massolin revelou que o segredo em torno das atividades serve para preservar a experiência individual. Segundo ele, contar o que acontece retiraria o impacto emocional do desafio.

A metodologia utiliza o desgaste físico como uma chave. “Quando você chega a um desgaste físico, você se abre muito para o seu emocional”, afirma Massolin. Ele reforça que as etapas são desenhadas para confrontar a história de vida de cada participante, especialmente em relação à paternidade e criação.

Weslley Silva acrescenta que o cenário inóspito é fundamental. O grupo busca lugares distantes da “selva de pedra” para que o homem reaja com sua bagagem total. O programa inclui cerca de 34 atividades que geram sentimentos de conquista, perda e frustração.

Combate à omissão e à “crise de hombridade”

A conversa abordou a postura do homem na sociedade atual. Para os líderes, existe uma crise de responsabilidade nos últimos 40 anos. Marco Massolin aponta que a tecnologia e a rotina têm tornado os homens omissos em seus papéis de pais e maridos.

Essa omissão, segundo ele, sobrecarrega a mulher e prejudica o desenvolvimento dos filhos. “O homem é protetor da sua casa, o homem é provedor da sua casa”, defende Massolin. Ele enfatiza a necessidade de tempo de qualidade com a família.

Weslley Silva reforça que o movimento busca resgatar o caráter e a responsabilidade financeira. Ele critica a inversão de hierarquia nos lares modernos. “Vivemos a primeira sociedade da história da humanidade que os filhos mandam nos pais”, alerta.

O aval da esposa como regra

Questionados sobre as críticas de machismo, os líderes apresentaram uma regra interna determinante. Para subir a montanha, o homem precisa da autorização e do apoio da sua esposa. O objetivo é garantir que o participante esteja em comunhão com sua família antes de buscar uma experiência espiritual.

“Não precisamos que ele venha para passar 72 horas na montanha se não está fazendo o papel dele dentro de casa”, afirma Weslley. Ele explica que o movimento incentiva o homem a ser “caçador” no sentido de ter garra e iniciativa, mas sem perder o romantismo e o respeito.

Inclusão e acessibilidade financeira

Sobre a crítica de que o movimento seria elitista, Weslley Silva foi enfático. Ele afirmou que o projeto é autossustentável e os custos cobrem transporte, alimentação e equipamentos. No entanto, garantiu que o dinheiro não impede ninguém de participar.

“Se a tua situação financeira for o problema, nós vamos receber você com a condição que você puder”, garantiu Weslley. O grupo mantém vagas sociais custeadas por empresários e outros membros que pagam inscrições excedentes para ajudar quem não possui recursos.

Segurança e riscos no ambiente hostil

A segurança é tratada como prioridade máxima. Devido à intensidade das caminhadas e ao isolamento, o movimento exige atestado médico cardiológico de todos os participantes. “Não sobe ninguém na montanha sem um atestado médico”, diz Massolin.

Wesley relembrou situações de risco real, como o caso de malária contraída em uma expedição na África e resgates por lesões físicas no Japão. Ele destaca que a equipe de apoio é treinada para lidar com terrenos inóspitos, animais peçonhentos e variações climáticas.

Fé, política e submissão

Em ano eleitoral, os líderes deixaram clara a distinção entre o movimento e a política partidária. Marco Massolin afirmou que o Legendários não lança nem apoia candidatos institucionalmente.

Weslley Silva explicou a visão teológica de submissão às autoridades. “Goste ou não do presidente, eu creio que esse presidente foi escolhido por Deus para o nosso tempo”, afirmou. Apesar de se identificarem como conservadores e defenderem o envolvimento cristão na política para levar valores de caráter à esfera pública, eles garantem que o movimento não atua como cabo eleitoral.

Resultados: casamentos e vidas restauradas

Ao fazer um balanço das atividades em Maringá, os convidados citaram estatísticas de transformação. Wesley mencionou cerca de 200 homens que abandonaram vícios em álcool e drogas após a integração ao grupo.

Massolin destacou a restauração de casamentos que estavam à beira da separação. “Não é um remorso, é um arrependimento genuíno”, explica. O impacto também é social. Em Maringá, o grupo mobiliza mil homens para doação regular de sangue e mantém 400 membros treinados pela Defesa Civil para atuar em emergências e quedas de árvores.

O significado do “AHU”

Para encerrar, os líderes revelaram o significado do grito de guerra do movimento. O “AHU” representa os três pilares do grupo: Amor, Honra e Unidade. “É um novo nível de amor, um novo nível de honra e um novo nível de unidade”, concluiu Weslley Silva.

Serviço

A entrevista completa com Weslley Silva e Marco Massolin está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio