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Aos 83 anos, a artista Célia Regina realiza um sonho ao abrir ao público sua primeira exposição individual. O “Brechó Escalafobético” tem abertura oficial neste sábado (24), na Sala Lukas do Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC), com um desfile das peças criadas pela artista, às 16h.
As principais obras de Célia são peças de roupas escalafobéticas (excêntricas, esquisitas e extravagantes), objetos recriados e intervenções visuais. São peças como vestidos, saias, chapéus, sapatos, além de escritas, pinturas e experimentações com diferentes materialidades, em telas ou nas paredes.
Com cores vibrantes, brilho, lantejoulas, paetês, aviamentos e muita cola branca, cerca de 20 peças de vestuário estarão penduradas pelo espaço expositivo de forma a permitir a circulação do público pelo universo de Célia, além de outros trabalhos visuais da artista. Algumas peças do vestuário também estarão disponíveis para toque, destinadas a pessoas cegas ou com baixa visão, e boa parte delas terá QR codes com audiodescrição.
História
Desde sua juventude, Célia Regina esteve ligada ao universo artístico, tendo trabalhado em publicidade, televisão e com artesanato. Contudo, foi somente após a aposentadoria que a artista conseguiu tempo para se dedicar à arte como modo de vida. Depois dos 70 anos, ela começou a fazer experimentações no mobiliário de sua casa.
As primeiras obras já chamavam a atenção por uma concepção original e uma estética autoral, na qual havia um apreço pelo exagero e pela mistura pouco óbvia de materialidades diversas. Com uma aposentadoria de um salário mínimo, que não cobria suas necessidades mais básicas, Célia começou a planejar um brechó na garagem de sua casa. A artista já havia confeccionado, na juventude, blusas, cintos e bolsas artesanais em couro. Ela também tinha uma cultura de brechó, tendo vestido a si, às suas filhas e netas com roupas de brechó por toda a vida. Então ela começou, também depois dos 75 anos, a fazer garimpos de peças usadas em bazares de igrejas e outros brechós para revender.
A questão é que Célia achava tudo muito básico, “faltava brilho e cor” (palavras dela) e esse foi o impulso criativo para começar a fazer experimentações têxteis. Se utilizando (sem saber) do método upcycling, a artista começou a fazer aplicações nas roupas para deixá-las mais bonitas. Nesse processo, ela foi trabalhando sua expressividade estética e transformando peças comuns em obras de arte que, mais tarde, ela mesma começou a compreender que ultrapassavam a categoria de vestuário.
A ideia de realizar a exposição via Fomento Aniceto Matti partiu da neta de Célia, a também artista Michelle Joaquim, responsável pela elaboração e coordenação do projeto, que foi aprovado em primeiro lugar na categoria Artes Visuais R$ 37 mil.
“Minha vó me mostrava as peças de roupa que ela havia recriado e me pedia ajuda para vendê-las, só que eram roupas muito extravagantes e carregadas de materiais, então a gente foi percebendo que eram obras de arte e começamos a imaginar essa exposição juntas”, conta.
A curadoria é assinada pela artista, juntamente com Michelle. A tarde de abertura, no sábado, dia 24, terá um pequeno desfile de peças criadas por Célia, com a participação de familiares e amigos. O público da exposição terá acesso a um minidocumentário de Fernanda Carla de Matias, que aborda a vida e a obra de Célia Regina. O projeto também prevê oficinas de arte têxtil voltadas para o público idoso.
Serviço:
Exposição “Brechó Escalafobético”, por Célia Regina
Período de visitação: de 22 de janeiro a 26 de fevereiro
Horários: de segunda a sexta das 9h às 17h, aos sábados das 9h às 13h
Abertura oficial: 24 de janeiro, às 16h
Local: CAC – Centro de Ação Cultural Márcia Costa (Av. XV de Novembro, 514, centro, Maringá/PR)
Entrada gratuita
Classificação livre
A ação cultural é produzida com Recursos de Incentivo à Cultura – Lei Municipal de Maringá n.º 11899/2024 – Fomento Aniceto Matti.
Ficha Técnica:
Artista: Célia Regina
Coordenação geral: Michelle Joaquim
Produção executiva: 2 Coelhos Comunicação e Cultura
Curadoria: Michelle Joaquim e Célia Regina
Texto curatorial: Annelise Nani
Mídias sociais: Alanis Okuzono
Identidade visual: Hellen Vieira
Assistência técnica: Bruno Willian Feitoza e Keuri Bonato
Acessibilidade: Forféu Atividades Artísticas
Montagem: Diego Hang, Gabriel F. Camargo, Juliana Alecrim e Michelle Joaquim
Educativo: Mariana Kanbara e Roriê Gimenes
Cinegrafia: Fernanda Carla de Matias e Diego Hang
Fotografia: Ana Rodes – Brisadiana e Diego Hang
Assessoria de imprensa: 2 Coelhos Comunicação e Cultura





