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Técnico aplicou 13 seringas de desinfetante em vítima; o que se sabe sobre as mortes em hospital no DF

Técnico aplicou 13 seringas de desinfetante em vítima; o que se sabe sobre as mortes em hospital no DF

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento em três homicídios ocorridos no Hospital Anchieta, em Taguatinga. As vítimas tinham 75, 63 e 33 anos e morreram enquanto estavam internadas na UTI da unidade.

Duas prisões foram realizadas no dia 12 e a terceira, no dia 15. A motivação dos crimes ainda é investigada.

Mortes suspeitas chamaram atenção do hospital
O Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas em três óbitos registrados na UTI, instaurou por iniciativa própria um comitê interno de análise. Em nota, a instituição afirmou que, em menos de 20 dias, reuniu evidências envolvendo técnicos de enfermagem, demitiu os funcionários e comunicou o caso às autoridades.

Vítimas morreram após aplicação irregular de medicamentos
A investigação aponta que os pacientes morreram após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante diretamente na veia. O principal suspeito é um técnico de enfermagem de 24 anos.

Segundo o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa, o medicamento utilizado, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos segundos. O nome da substância não foi divulgado.

Suspeito teria usado desinfetante após falta de medicamento
De acordo com o delegado, em um dos casos, o suspeito aplicou quatro doses do medicamento em uma paciente, que sofreu sucessivas paradas cardíacas, mas sobreviveu inicialmente. Com o fim do remédio, ele teria injetado desinfetante retirado da pia do leito.

“Ele encheu cerca de 13 seringas com o desinfetante e injetou diretamente na veia da paciente, o que acabou causando o óbito”, afirmou Salomão em entrevista ao Jornal Nacional.

Quando as mortes ocorreram
As mortes teriam acontecido entre novembro e dezembro de 2025. Segundo a polícia, o medicamento foi aplicado em dois pacientes no dia 17 de novembro e na terceira vítima em 1º de dezembro.

Como o esquema funcionava
As prisões se baseiam em imagens de câmeras de segurança e na análise de prontuários médicos. De acordo com a polícia, o suspeito acessava o sistema hospitalar deixado aberto por médicos, prescrevia os medicamentos em nome deles, retirava os produtos na farmácia, escondia as seringas no jaleco e aplicava as substâncias nos pacientes.

Após as aplicações, ele realizava massagens cardíacas para simular tentativas de reanimação diante da equipe médica. Para a diretora do IML, Márcia Reis, as perícias indicam deterioração súbita do quadro clínico das vítimas, sem agravamento gradual, o que reforça a suspeita de ação intencional.

Conivência de outras duas técnicas
Segundo o delegado, duas técnicas de enfermagem teriam acobertado a ação. Uma delas, de 28 anos, já havia trabalhado em outros hospitais. A outra, de 22 anos, estava no primeiro emprego. Ambas foram presas.

Imagens de segurança mostram as duas nos quartos das vítimas, observando os procedimentos e vigiando a porta para impedir a entrada de outras pessoas. Uma delas teria auxiliado o principal suspeito na retirada do medicamento na farmácia do hospital.

Outras mortes sob investigação
A Polícia Civil investiga se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras instituições públicas e privadas onde os suspeitos já trabalharam. A apuração envolve cerca de 20 laudos periciais e busca reconstruir uma linha do tempo extensa.

O Coren-DF informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa, acompanha a situação e adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.

O que diz o hospital
O Hospital Anchieta afirmou que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos de forma responsável e acolhedora. A instituição destacou ainda que o caso tramita sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação de novas informações, e afirmou que o sigilo é essencial para preservar as investigações e o trabalho das autoridades.
 
 

Segundo o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o principal suspeito, de 24 anos, escondeu um medicamento dentro do jaleco para aplicá-lo em pacientes da UTI

Folhapress | 16:15 – 19/01/2026