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A história da Bless3D Soluções, hoje referência regional em impressão 3D, começou de forma despretensiosa, quase improvisada, e seguiu um caminho que mistura coragem, esforço e uma convicção íntima de propósito. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, Suelen Adami e Thiago Mattia revelaram como construíram o negócio desde os primeiros dias, quando a única máquina da empresa ficava dentro do quarto e os dois ainda tentavam entender como separar a vida pessoal do trabalho.
“Nós temos um pacto de que o que é da empresa fica na empresa, e o que é de casa fica em casa”, conta Thiago. A necessidade desse acordo ficou evidente quando a empresa deixou o home office e passou a ter funcionários. “Dentro do ambiente de trabalho nós somos sócios, não somos um casal.”
Da renda extra ao empreendedorismo
Antes de se tornar empresa, a impressão 3D era apenas uma atividade complementar. Thiago trabalhava no setor de pesquisa e desenvolvimento de uma indústria e sentia dificuldade para produzir protótipos. A oportunidade surgiu quase por acaso, durante uma viagem técnica.
“Eu posso pagar pela impressora, mas não sei trabalhar. Eu não posso pagar, mas sei trabalhar. Vamos comprar?”, relembra ele, citando a conversa com o então sócio que deu origem à primeira máquina.
O movimento cresceu aos poucos. Com a impressora dentro do apartamento, Suelen passou a atender clientes, entregar peças e fazer o acabamento manual. Quando a demanda aumentou, o casal percebeu que era preciso dar um passo maior — mas essa transição foi marcada pela insegurança.
“Ainda tinha aquele sentimento da segurança do salário pingando todo mês, faça chuva ou faça sol”, afirma Thiago, que foi demitido no início do processo. A tentativa de recolocação no mercado falhou, e a impressão 3D deixou de ser alternativa para se tornar o único caminho.
O ato de coragem que marcou a virada
Em maio de 2019, a Bless3D enfrentava um dilema comum para empresas que crescem rápido: muita demanda e poucas máquinas. Foi então que Thiago tomou uma das decisões mais ousadas da trajetória.
“Olhei para a garagem e vi o carro parado. Falei: vou vender o carro e comprar a máquina.”, contou. Suelen questionou a lógica do gesto — “Mas vamos andar de moto?” — mas o plano seguiu em frente. Em uma semana, o carro estava vendido. O dinheiro foi usado para comprar duas novas máquinas e um curso que abriu caminho para a odontologia digital.
Empreender a dois: limites, erros e aprendizados
A convivência intensa trouxe desafios emocionais e profissionais. “Era tudo misturado. Quando fomos para o ponto comercial, tivemos que aprender a respeitar limites”, relata Suelen. A entrada de funcionários forçou uma postura mais profissional, com conversas difíceis e amadurecimento acelerado.
Mesmo hoje, com equipe formada e dezenas de máquinas funcionando simultaneamente, o aprendizado continua. “Empreender é superar obstáculos o tempo todo. Se desistir no primeiro embate, o negócio não vai dar certo”, afirma Thiago.
Fé como combustível
O casal não esconde que a fé foi determinante em momentos críticos. Durante a pandemia, quando a empresa sobreviveu produzindo face shields, eles lembram de uma promessa recebida na igreja: que o espaço onde trabalhavam não comportaria mais a empresa até o fim do ano.
“A fé é a certeza daquilo que não vemos. Não sabíamos como aconteceria, mas sabíamos que aconteceria”, diz Suelen.





