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Samu Maringá vai realizar transfusão de sangue no local da ocorrência

Uma parceria entre o Serviço de Operações Aéreas do Samu e o Hemocentro de Maringá começa um projeto inovador no Paraná a partir desta segunda, 17. O Hemocentro irá fornecer bolsas de sangue do tipo ‘O negativo’ para a transfusão de sangue em vítimas de hemorragia já no local da ocorrência. A base do serviço de operações aéreas foi reestruturada dentro protocolos para recebimento das bolsas de sangue e realizar o transporte dentro da aeronave.

O processo conta com uma caixa especial para transporte do sangue, importada, capaz de manter o sangue em temperatura ideal, monitorada por sistema de controle via aplicativo e GPS. As bolsas que não forem utilizadas serão devolvidas pelo Samu ao Hemocentro às quartas-feiras porém, não serão descartadas, pois os hemocomponentes seguem dentro do prazo de validade e poderão ser utilizados em outros pacientes.

Desta forma, é realizada a reposição, mantendo os protocolos de refrigeração adequados. “Nos últimos tempos, a literatura tem afirmado que amaior causa de mortes no trauma é o sangramento, a hemorragia. E a reposição de sangue perdido com soro fisiológico ou ringer não é uma medida adequada. Atualmente, os estudos demonstram que ao utilizar a transfusão nesses casos, há redução significativa de mortes”, afirmou o médico e um dos gestores do Samu, Vinicius Augusto Filipak.

A necessidade de implantar o projeto na unidade deu-se após revisão dos atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito nas rodovias do Norte-Noroeste do Paraná onde, segundo o Samu, ficou clara a intervenção emergencial de emprego dessa tecnologia. Somente a base de Maringá já realizou mais de 3600 atendimentos de emergências clinicas e traumáticas nestes 5 anos e 11 meses de operação.

Nos últimos 6 meses, mais de 50% das vitimas atendidas no serviço aeromédico foram acidentados graves e poderiam ser enquadradas neste protocolo. “Precisávamos promover algo a mais a vítima grave sendo o hemocomponente uma intervenção fundamental nas pacientes com hemorragia exanguinante” destacou o coordenador da base do Samu Maringá, Maurício Lemos.

“Foi um longo processo com toda a coordenação para adaptação e implementação do projeto, respeitando as legislações municipal, estadual e federal”, reforçou Lemos. O processo passou por todas as esferas de Vigilância Sanitária (local e estadual ). “Foram 28 meses de trabalho encima do projeto”, afirmou.

O Samu 192 da cidade de Bragança Paulista (SP), foi o pioneiro no país na hemotransfusão de sangue em viaturas terrestres e o estado de Santa Catarina iniciou há pouco tempo iniciou o uso de sangue total no helicóptero do corpo de bombeiros e samu 192. Para ser aplicada em Maringá, a ação contou com o apoio do Hemocentro, Secretaria do Estado da Saúde (Sesa) além da iniciativa privada que investiu em equipamentos utilizados na Europa e Estados Unidos.