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Presos fazem o Enem PPL pensando em chegar à faculdade

Em todo o Brasil aconteceu nos dias 10 e 11 deste mês a aplicação do exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pessoas privadas de liberdades, as PPLs, que estudam nos cursos oferecidos pelos setores de Polícia Penal em convênio com as secretarias estaduais de Educação por meio dos cursos para jovens e adultos. Foram mais de 45 mil presos participantes em todo o Brasil e no Paraná o Enem PPL foi aplicado para cerca de 2,5 mil presos das unidades prisionais de nove Regionais, entre elas a de Maringá, que participou com 151 PPLs da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM), Casa de Custódia, Penitenciária Industrial – Unidade de Progressão, as cadeias de Maringá, Engenheiro Beltrão e Astorga, além do Escritório Social.

As provas do Enem PPL têm o mesmo nível de dificuldade do Enem regular. A única diferença é a aplicação, que acontece dentro de unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos respectivos órgãos de administração prisional e socioeducativa. Os candidatos do Enem PPL com idade a partir de 18 anos poderão utilizar o desempenho no exame como mecanismo único, alternativo ou complementar para acesso à educação superior, por meio do SISU (Sistema de Seleção Unificada) e Prouni, o Programa Universidade para Todos.

A exemplo do Enem regular, também para os presos o exame é constituído de redação e de quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha. No primeiro dia, foram aplicadas as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e ciências humanas e suas tecnologias, com cinco horas e meia de duração. No segundo dia, as provas foram de ciências da natureza e matemática, em cinco horas.

 

Prova do Enem PPL atende expectativas

 

Embora ainda não conheça o resultado das provas, a pedagoga Ivanir Jolio, considera que a aplicação do Enem na Regional de Maringá foi um sucesso, primeiro pelo empenho dos próprios presos em se submeter à avaliação, mas também pela disposição dos diretores das unidades prisionais para que o máximo de estudantes participasse das provas.

Enem PPL
Imagem meramente ilustrativa     Foto: Deppen

“O resultado vai apontar se o trabalho dos nossos professores está no caminho certo, mas também que o preso está interessado em acessar a universidade e ser uma pessoa melhor preparada para a vida quando deixar a prisão”, diz a pedagoga, que coordena o ensino na Penitenciária Industrial de Maringá, a antiga Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM).

A coordenadora considera que, com a certificação de nível superior, a pessoa que hoje cumpre pena pode almejar uma colocação no mercado de trabalho com maior facilidade, diminuindo as chances de reincidência no crime.

O coordenador da Regional de Maringá, Julio Cesar Vicente Franco, considera que o estudo mantém os presos estimulados a buscar uma vida melhor, uma vida com mais sabedoria. Além disso, o preso é incentivado a estudar porque o estudo é uma das formas de alcançar a remição da pena. A cada três dias de estudo, a pena é reduzida em um dia.