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Elas ainda são minoria, mas a participação feminina cresce na indústria

Para a indústria do Paraná, 2022 foi bom quando o assunto é geração de empregos. Para as mulheres, foi melhor ainda. Por mais que a participação delas ainda seja baixa, 26,5% em 2021, os dados da geração de empregos mostram crescimento na participação feminina em relação ao ano anterior (39,1%). Somente elas tiveram saldo positivo de empregos nas vagas ocupadas que exigiam pelo menos o ensino superior incompleto.
“Por mais que ainda haja uma grande diferença entre a participação de mulheres e homens no mercado de trabalho da indústria paranaense, os números de geração de emprego em 2022 mostram que há potencial para reduzir essa diferença nos próximos anos, principalmente em vagas que exigem maior qualificação profissional”, explica o PhD em Economia, João Ricardo Tonin.
O aumento da participação feminina também acontece nos cursos ofertados pelo Senai-PR, mas ainda está abaixo do desejado. “Temos oito cursos técnicos por ano, criados de acordo com a demanda da indústria, além de diversas turmas de qualificação e aperfeiçoamento”, frisa Luiz Antonio Mendonça, gerente de Educação da Unidade Maringá do Senai. Para ele, a maior presença das mulheres se deve a muitos fatores, entre eles a dedicação e a busca por qualificação.
A história de Viviane Leão de Carvalho é um exemplo. Ela mora em Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo e, há quase dez anos, percorre diariamente 50 quilômetros para chegar à Usina Conquista do Pontal (Atvos), em Mirante do Paranapanema. Ela entrou na empresa como soldadora. Depois de um ano na função, passou para a operação do processo industrial.
Em 2020, mirando atuar em uma área que gosta mais e melhorar o salário, Viviane percorreu uma distância maior. Durante dois anos, viajou para Maringá e, no Senai, fez o curso Técnico em Eletromecânica. A partir do dia 15 de fevereiro, Viviane vai dar apoio no setor elétrico para aprimorar seus conhecimentos adquiridos no curso. “Estou ansiosa para começar a praticar e estar pronta para abraçar a oportunidade de migrar definitivamente para esta nova função quando surgir oportunidade”, diz. Ela elogia a usina, “pelo objetivo de trazer a mulher para o mercado de trabalho e realizar uma inclusão de gênero”.
Viviane sabe que está vencendo desafios e preconceitos e fez questão de dar a entrevista para o jornal. “Contar a história de pessoas que conquistaram seu espaço em um ambiente masculino é incentivador para que outras mulheres vejam e saibam que elas também podem estar em qualquer área. Hoje vejo muitas mulheres atuando na manutenção e na parte elétrica”, enfatiza, constatando que elas estão ocupando espaço em áreas que até bem pouco tempo atrás eram ocupadas apenas por homens.
Apesar de não fazer diferenciação entre o trabalho masculino e feminino a partir de traços mais característicos das mulheres, a Atvos percebeu, de maneira geral, que elas são bastante observadoras e atentas a detalhes, demonstram um alto grau de empatia e contam com uma dose extra de paciência na solução de problemas. A empresa possui mais de 9 mil funcionários, sendo que as mulheres respondem por 16,5% deste total e os planos são para aumentar a presença delas.

MULHER TAMBÉM PODE
Outro exemplo de fibra é o de Luzia Moreira. Aos 48 anos e mãe de duas jovens, de 23 e 25 anos, ela sonha com um novo recomeço profissional. Hoje trabalha no setor de evisceração da indústria de alimentos GTFoods, em Maringá, e sonha com uma oportunidade para migrar para a área de Eletromecânica.
Luzia trabalhou a maior parte de sua vida no campo. Saiu há cerca de 13 anos e, no dia 15 de outubro de 2010, estreou na indústria. De olho em um salário melhor, recentemente foi uma das funcionárias selecionadas pela empresa para fazer o curso de Eletromecânica no Senai Maringá.
O setor eletromecânico é dominado por homens e Luzia sabe disso. Sabe também que atuar nesta área é “puxado”. Mas, não se assusta. “Para mim, não vejo diferença. Em toda minha vida sempre pensei que tudo o que um homem pode fazer, a mulher também pode”, explica.

BOM PARA ELAS, BOM PARA A INDÚSTRIA
A presença feminina tem sido positiva também para as indústrias. É o que ensina o caso da Cinfer, Indústria e Comércio de Ferro e Plásticos, de Maringá. Dorival Stabile, gerente administrativo e responsável pelo Departamento Pessoal e pelo RH da empresa, diz que, dos 51 funcionários, 21 são mulheres. E essa grande presença feminina não é por acaso.
“Há muitos anos a empresa fez uma experiência contratando mulheres para fazer alguns serviços na linha de produção. De imediato, percebeu um aumento significativo na produtividade e, desde aquela ocasião, nunca mais deixamos de ter mulheres em nossa linha de produção”, rememora Stabile.
O gerente explica que as mulheres são eficientes para atuar nos serviços da indústria. “No nosso segmento (metalurgia) é arriscado manter conversas paralelas durante o trabalho e elas são mais concentradas. Além disso, com alguns meses nos setores, já adquirem agilidade, que é o que precisamos”.
No Grupo FA Maringá, formado por várias empresas do comércio e da indústria, a presença feminina também é forte. São 480 homens e 315 mulheres. O diretor-superintendente, Luis Fernando Ferraz, explica que a tendência é que a diferença caia, pois a cada dia as mulheres estão mais dispostas a trabalhar em funções anteriormente ocupadas prioritariamente pelos homens.

 

Empresa investe na igualdade e equidade de gênero

O apoio da Atvos à qualificação de Viviane Leão Carvalho não é por acaso. A empresa é signatária do Pacto Global da ONU e dá ênfase aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), como a igualdade de gênero, que foca a ampliação de ações voltadas para a geração de mais e novas oportunidades para mulheres. Também aderiu aos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs – Women’s Empowerment Principles), uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global que propõe uma agenda do setor sucroenergético para avançar na promoção da equidade de gênero.
Na safra 2020/2021, a Atvos estruturou sua Política de Diversidade & Inclusão, que incluiu a criação de Comitê de Diversidade & Inclusão com o propósito de construir uma cultura inclusiva e promover um ambiente de respeito, acolhimento, acessibilidade e igualdade por meio de conscientização e educação.
A empresa também oferece cursos gratuitos e exclusivos para as mulheres que moram nas comunidades localizadas no entorno das operações, voltados principalmente para formação de operadoras de máquinas agrícolas. Os cursos são desenvolvidos com o apoio do Senai ou do Senar de cada região.