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Cocamar testa sobressemeadura de braquiária em lavouras de soja

Utilizando drone, a Cocamar Cooperativa Agroindustrial deu início a um trabalho experimental e inovador de sobressemeadura de braquiária ruziziensis em lavouras de soja.

As propriedades onde a prática aconteceu, todas na região de Londrina, pertencem aos produtores Wellington Seiti Otaki e Sérgio Viúdes, respectivamente nos municípios de Cambé e Rolândia, e à produtora Etiane Caldas Gomes Kuster, em São Jerônimo da Serra.

Conforme explica o engenheiro agrônomo Osmar Buratto, que integra o Grupo+ de consultoria técnica especializada prestada pela cooperativa, a braquiária geralmente é semeada após a colheita da soja, no final do verão, com a finalidade de proteger o solo e gerar cobertura de palhada para o plantio direto do ciclo seguinte, entre outros benefícios.

“A antecipação, com a sobressemeadura (ou seja, o lançamento de sementes mesmo com a soja ainda instalada) visa garantir um desenvolvimento melhor à braquiária”, explica Buratto, lembrando que a mesma, por ser adaptada ao clima tropical, apresenta alta demanda por água e viceja mais quando sob temperaturas elevadas, entre 28 e 33ºC. “Quanto mais se posterga a semeadura, menos condições favoráveis a planta encontra para se desenvolver”, justifica.

Assim, além de otimizar o tempo do produtor, antecipar a semeadura da braquiária faz com que essa espécie de capim tenha uma boa germinação, um estabelecimento mais adequado na fase inicial e, consequentemente, produza um volume maior de matéria seca, cita Buratto.

O engenheiro agrônomo lembra ainda os benefícios proporcionados pela braquiária sob a superfície, como o seu agressivo enraizamento, que controla a erosão, rompe a camada compactada e gera matéria orgânica. “Trata-se de uma prática que vai trazer sustentabilidade sob o ponto de vista ambiental e conservacionista, ressalta.

Para que a sobressemeadura apresente os resultados esperados é preciso, segundo ele, que a soja tenha iniciado a maturação, com 20 a 30% de folhas amareladas, além de o solo estar úmido. O ideal ainda é que, nos dias seguintes à distribuição de sementes – como ocorreu – sobrevenha uma chuva de pelo menos 15 a 20 milímetros.

O uso de drones agiliza a operação, que seria impraticável com maquinário em razão da umidade do solo, sem falar dos danos à lavoura.

A área técnica da Cocamar informa que vai acompanhar e avaliar os resultados da sobressemeadura de braquiária na soja para poder recomendá-la aos cooperados na próxima safra de verão.