BRASIL E MUNDO

Amor ao primeiro miado: gatos ganham espaço nos lares

“Gato não é cão pequeno e merece atendimento especializado. Muitas vezes o comportamento indesejado está relacionado com erro de manejo e falta de compreensão do comportamento felino”, ensina Bruna Salino, da TerapiCat, especialista no comportamento desses adoráveis peludos. Os gatos então em alta nos lares brasileiros, ampliando um mercado de produtos criados para atender suas necessidades de caçar, pular, entocar, arranhar e brincar. E não é só isso. Existe o dia nacional e internacional do gato, eles ganharam espaços exclusivos em clínicas, doutores especializados, babás, terapeutas. Também são estrelas de séries, campeões de audiência nas redes sociais e te desafio a conseguir tirar os olhos de uma sequência de imagens com eles brincando.

O Brasil encerrou 2021 com 149,6 milhões de animais de estimação, mais de 27 milhões deles são gatos. A população felina registrou maior crescimento entre 2020 e 2021, 6%, acima dos cães. Os dados são do Censo Pet IPB, levantamento anual da população de animais de estimação realizado pelo Instituto Pet Brasil. Em Curitiba, uma estimativa da prefeitura, de 2010, indicava uma população de mais de 122 mil gatos, cerca de 24 mil em situação de rua.

Independente de números, a paixão pelos gatos move as pessoas. Bruna Salino é graduanda em ciências biológicas e estuda psicanálise para orientar os tutores da melhor forma. “Os gatos estão sofrendo com a ansiedade e organizar a rotina, aumentar as atividades e interações positivas com os tutores é importante”, ensina ela que é do interior de São Paulo, mas atende online. “A vida inteira tive gatos e questionava alguns comportamentos. Como protetora, eu doava e muitos eram devolvidos por comportamento indesejado”, conta. A terapia comportamental de gato, afirma ela, é como adestramento para cães, não exige graduação. “Em chamada de vídeo avalio as possíveis motivações do comportamento pela análise do histórico, rotina, personalidade e do ambiente”, diz, acrescentando que é possível mudar o comportamento através da conversa com o tutor, colocando em prática estratégias de condicionamento.

A engenheira Sheila Lima, proprietária da Ogato Designer, sabe muito sobre os gatos e aprofundou pesquisas para criação de produtos. Para ter certeza de fazer o melhor, a empresa tem uma equipe de teste, os cat leaders. Tudo começou com um concurso de Gato Embaixador que recebeu muitas inscrições e, ao perceber as personalidades diferentes de cada um, ela teve um insight. “Criamos junto com os tutores alguns cargos de acordo com a personalidade do gato. Um deles virou diretor de entretenimento; a gatinha charmosa virou analista de moda e estilo”, conta sobre os 11 gatos que recebem produtos para testar e indicar ajustes. “Coisas do tipo esconder o fio do bebedouro, porque o gato mastiga. Nem tudo a gente consegue resolver, mas tentamos”.

 

Trabalho de ‘cat sitter’ vai muito além de encher potes de comida
A Bruna Squisatti, do CatClawClub, cresceu entre cães até um gato entrar na sua vida, aos 10 anos. “Foi amor ao primeiro miado”, conta a designer gráfica, que desde 2018 se dedica a ser uma “cat sitter” (cuidadora de gatos) profissional.“Comecei com gatos de amigos e foquei neles porque exigem cuidados diferentes. É uma atividade em que se preza pela confiança”, conta ela, que buscou cursos voltados ao bem-estar felino.

Se você acha que o trabalho da “babá de gatos” se resume a abastecer os potes de ração e limpar as caixas de areia, está enganado. “E bem mais complexo e exige um profissional comprometido com os tutores e com o bem-estar do animal. O principal é fazer com que o gatinho se sinta seguro na ausência dos tutores”, ensina. Uma visita envolve, além dos cuidados básicos de higiene e alimentação, carinho e brincadeiras, estar atento a possíveis mudanças de humor/desmotivação, se certificar de que o gato está em um ambiente rico em recursos, medicar, cuidados pós-operatórios e acompanhamento em visitas veterinárias. “Procuro proporcionar uma experiência de conforto e dedicação total; identificar a personalidade de cada um e promover atividades compatíveis”, afirma Bruna. O mais interessante, para ela, é reconhecer e interagir com as diferentes manias e conquistar os mais tímidos. “É desafiador e maravilhoso quando um gatinho passa a confiar. Me encontrei nessa profissão. Volto pra casa com um sentimento genuíno de felicidade, de poder ajudar de alguma forma tantos gatinhos”.

Cat Friendly — O abandono parece menos visível que os dos cães, mas é uma realidade. Que o diga Pauline Machado, voluntária desde 2009, que atualmente é responsável pelo processo de adoção, dos eventos e da lojinha do Beco da Esperança, um abrigo para gatos. O Beco vive de doações e dos padrinhos dos gatos, que ajudam mensalmente. “Hoje temos perto de 600 gatos e estamos notando um aumento de abandonados. O número de gatinhos que chegam é muito maior que o de adoções”, explica ela, acrescentando que faz cerca de 10 adoções por mês.

Por outro lado, o mercado se especializa. É cada vez mais comum a oferta de espaços específicos em clínicas e hospitais para o atendimento, para evitar o estresse felino. Curitiba tem o único hospital veterinário do Paraná com a certificação Americana Ouro Cat Friendly, da American Association of Feline Practitioners (AAFP), programa que faz parte do movimento para tornar os cuidados veterinários menos estressantes para os gatos e seus tutores. No nível Gold o local preenche o máximo de requisitos necessários para fazer um tratamento de excelência aos felinos. Eles tem recepção, sala de espera, consultórios, internamento e veterinários exclusivos. A Animal Clinic também o atendimento domiciliar.

Serviço:
https://www.instagram.com/catclawclub/
https://www.instagram.com/terapicat/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D

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Hospital Veterinário 24h em Curitiba no Batel e Bacacheri – Animal Clinic